José Cruz/Agência Senado
A comissão parlamentar de inquérito
que investiga contas mantidas por brasileiros em agência do banco HSBC na Suíça
ouvirá nesta quinta-feira (9) o ex-secretário da Receita Federal Everardo
Maciel. A audiência terá início logo após a votação de requerimentos, em
reunião marcada para as 9h.
O tributarista Everardo Maciel foi
secretário da Receita de 1995 a 2002. Os dados do HSBC, vazados por um
engenheiro de sistemas, referem-se à situação de contas nos anos de 2006 e
2007, mas muitas foram abertas anos antes. No requerimento da audiência, o
senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), vice-presidente da CPI, destacou o
"vasto conhecimento técnico" de Everardo Maciel sobre métodos de
apuração de fraudes fiscais e a possibilidade de repatriamento de recursos
desviados.
Em audiência na quarta-feira passada (1º), o atual secretário da Receita Federal, Jorge
Rachid, afirmou que o órgão já pode conduzir investigações preliminares sobre
mais de 100 nomes identificados na lista de correntistas brasileiros da filial
suíça do HSBC. Rachid ressaltou que se trata de análise preliminar, mas falou
na existência de “indícios de ilícito”.
Requerimentos - Entre os requerimentos que podem ser votados na
reunião de quinta, está o de convocação do presidente do HSBC no Brasil, André
Guilherme Brandão. Também há pedido de realização de diligência na França para
ouvir o engenheiro franco-italiano Hervé Falciani, ex-funcionário do HSBC que
reuniu os dados dos correntistas, elaborando a lista que passou a ser conhecida
como Swissleaks. No início deste ano, veículos de comunicação de todo o mundo,
municiados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos,
começaram a divulgar as informações.
Outro requerimento na pauta — do
relator da CPI, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) — sugere visita ao embaixador
da França no Brasil, Denis Pietton. Em depoimento no dia 26, o jornalista
Fernando Rodrigues, do UOL, único brasileiro a ter acesso à lista de correntistas
do HSBC, disse que não forneceria os dados à CPI e sugeriu que os dados fossem
solicitados ao governo francês, que investiga o caso desde 2008. Há mais de 8
mil contas de brasileiros na relação vazada por Falciani. (Agência Senado).
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