Por Luma Poletti
Bolsonaro é acusado de fazer apologia à tortura ao
citar o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra durante votação do impeachment
da presidente Dilma
Em uma sessão esvaziada nesta terça-feira (28), o
Conselho de Ética instaurou o processo contra o deputado Jair Bolsonaro
(PSC-RJ) e sorteou três nomes para assumir a relatoria do caso. Zé
Geraldo (PT-PA), Wellington Roberto (PR-PB) e Valmir Prascidelli (PT-SP) foram
sorteados e um deles será escolhido pelo presidente do conselho, José Carlos
Araújo (PR-BA), para relatar a representação em desfavor de Bolsonaro, de
autoria do Partido Verde. O deputado é acusado de fazer apologia à tortura ao
citar o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra quando votou na sessão que
permitiu a abertura do impeachment da presidente Dilma Rousseff, no dia 17 de
abril.
De acordo com o regimento, o relator não pode
ser do mesmo estado, partido nem coligação de Bolsonaro.
“[Esquerdistas] Perderam em 64. Perderam agora, em
2016. Pela família e pela inocência das crianças em sala de aula, que o PT
nunca teve [sic]. Contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o Foro de
São Paulo, pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de
Dilma Rousseff. Pelo Exército de Caxias, pelas nossas Forças Armadas, por um
Brasil acima de tudo e por Deus acima de todos, meu voto é sim”, discursou
Bolsonaro, em meio a vaias e aplausos, depois de elogiar o presidente da
Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pela condução dos trabalhos na sessão do
impeachment.
O parlamentar já rebateu a acusação em público,
com o argumento de que ainda não há condenação definitiva para Ustra e
que os deputados têm imunidade parlamentar por seus votos e palavras.
José Carlos Araújo convocou a próxima reunião do
Conselho de Ética para quarta-feira (6), quando anunciará oficialmente o nome
do relator escolhido para o caso. Superada esta etapa, o relator deverá apresentar
um parecer preliminar que será submetido à votação pelo plenário do colegiado,
que decidirá pela admissibilidade ou não do processo.
Um dos sorteados, deputado Zé Geraldo, chegou ao
final da reunião do colegiado e conversou com o presidente. “Tive uma conversa
preliminar com o deputado Zé Geraldo e ele se mostrou disposto, se for
escolhido, a ser o relator”, disse José Carlos Araújo, que falou sobre os
critérios para a escolha do relator: “Vou levar em consideração o que o
deputado tem com o representado, se é amigo íntimo, se é inimigo, se tem ou não
disposição e qual seria o caminho que ele tomaria para estudar essa
representação”.
“Já bati na trave algumas vezes, agora novamente
estou numa lista tríplice e é prerrogativa do presidente escolher o relator”,
disse Zé Geraldo. “Não sou nem amigo nem inimigo [de Bolsonaro]. Tenho
evitado confronto com alguns parlamentares nessa Casa, entre eles o Bolsonaro.
Sou discordante das atuações dele principalmente em alguns debates”,
acrescentou o petista.
Para o presidente do colegiado, o fato de o Supremo
Tribunal Federal ter decidido na última semana aceitar duas denúncias contra o
deputado e torná-lo réu por injúria e apologia ao estupro não influencia no julgamento do
Conselho de Ética. “Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Aqui nós vamos
julgar em relação à ética e ao decoro, no Supremo é outra coisa, o Supremo
julga de acordo com seus parâmetros”, defendeu José Carlos Araújo.
O candidato à relator, Zé Geraldo, também acredita
que os desdobramentos do episódio ocorrido entre Bolsonaro e a deputada petista
Maria do Rosário (RS) não inviabiliza a sua eventual participação no processo.
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