Telmário Mota *
Muitos me perguntam se vejo luz no fim do túnel, e
que não seja a de um trem vindo em nossa direção. Sempre respondo que sim, e
que essa se chama reforma política. Refiro-me a algo que ouse mexer no modelo
partidário brasileiro. Sem isto, entrará governo, sairá governo, com o
presidente refém de uma base de apoio heterogênea, ideologicamente controversa,
cara em seus arranjos, ineficiente e insegura. Pelo menos para o presidente,
que dela dependerá para o defender. Essa foi a base que faltou a Collor, e
agora falta a Dilma. Sem mudanças, em breve faltará a outro que virá.
Em nenhum lugar do mundo o sistema presidencialista
funciona a contento dentro desse modelo de coalizão, que existe apenas no
Brasil. O presidencialismo somente funciona bem se o chefe do Executivo é
institucionalmente forte e consegue passar suas políticas de governo pelo
Congresso sem muita turbulência ou arranjos. De outra forma, o que se tem é uma
aventura de mando, resolvida em meio a ventos políticos de ocasião.
Já ouvi dizer em parlamentarismo no Brasil como
solução, do que discordo. Mais uma vez, sem que o chefe do governo
(primeiro-ministro) tenha uma base partidária forte, cairá gabinete após
gabinete e rapidamente o regime estará esgotado.
Presido em Roraima um partido, o PDT, que esteve
presente durante todo o período democrático que se sucedeu à Carta de 46,
chegando hegemônico até o Golpe de 64. Refiro-me ao PTB de então – outros dois
eram UDN e PSD. Vejo, nas bases partidárias, soluções para todas as crises
políticas que uma nação democrática possa enfrentar. Não confio em avulsos
salvadores da pátria. É o pensamento sistêmico partidário que consegue
coordenar forças políticas em torno das soluções democráticas. O partido
político faz a canalização de opiniões. Ter legendas demais, imaginem! No
Brasil há 35, o que causa antes confusão política do que riqueza de diversidade
no Parlamento. Aí é a crise nacional que impera. Vejam o que vivemos hoje.
Também não creio em reformas políticas que se
consomem em torno de minudências eleitorais: se haverá ou não caixa de som nas
campanhas, se o suplente de senador será o imediatamente menos votado na
eleição, todas estas meras firulas. Creio naquela que enfrente questões de
vulto, entre as quais esta à que me referi.
Outro ponto importante que considero numa reforma
política estruturante é a extinção do político profissional, aquele que usa o
mandato popular como meio de vida e que tem por objetivo enriquecer a si e à
sua família nessa condição. Republicanismo é transitoriedade. Em política há
que se ter renovação e Justiça firme para com os eleitos. Deve ser incinerado o
fórum privilegiado para políticos, mantido exclusivamente em casos de opinião e
de voto. Para tudo o mais, políticos devem ser considerados o que de fato são:
cidadãos comuns, tratados com severidade pela Justiça comum.
Gosto da ideia de eleições gerais já, desde que
nenhum dos atuais possam concorrer. Se a atual crise se resolve com renovação,
que haja renovação. Já disse no Senado e repito: abro mão de meu mandato se for
para dar uma partida a frio na representatividade política. Difícil será passar
esta proposta pela cacicagem de Brasília.
* Economista e senador do PDT pelo Estado de
Roraima.
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