Adriana Justi e Camila
Bomfim
PF cumpriu mandado de busca na casa dele e da mulher, Gleisi Hoffmann. Em
nota, defesa de Bernardo disse que a prisão é 'ilegal'.
O ex-ministro do Planejamento do governo Lula e das
Comunicações no primeiro governo Dilma, Paulo Bernardo, foi preso nesta
quinta-feira (23) em um desdobramento da 18ª fase da Operação Lava Jato, em
Brasília. Ele é marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Carlos Gabas,
ex-ministro da Previdência do governo Dilma, teve a casa alvo de busca e
apreensão.
Inicialmente, a PF informou que Gabas foi alvo de
condução coercitiva, que é quando a pessoa é levada a depor. No entanto, o juiz
que autorizou o mandado disse que Gabas deveria ser informado pelos policiais
que teria o direito de ficar em silêncio e, nesse caso, não seria obrigado a ir
para a delegacia prestar depoimento. Como Gabas disse que não falaria com as
autoridades, pôde ficar em casa.
Um mandado de condução coercitiva foi para o
jornalista Leonardo Attuch, que administra o blog 'Brasil 247'. Ele já havia
aparecido nas investigações da Lava Jato como suspeito de ter recebido dinheiro
por serviços não executados.
Entre os que foram presos está Valter Correia,
secretário de Gestão do prefeito Fernando Haddad, em São Paulo.
Há ainda um mandado de prisão preventiva para o
ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que, condenado na Lava Jato, está preso
desde 2015. Outro ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, também tem mandado de
prisão. Ele é marido da ex-ministra do Desenvolvimento Social no governo Dilma,
Tereza Campelo, e próximo ao ex-ministro José Dirceu.
No entanto, até o início da tarde desta quinta, ele
ainda não havia sido detido pela PF, que não o encontrou em casa. Em entrevista
à Rádio Gaúcha, mais cedo, Ferreira disse que está "tranquilíssimo".
"Nunca, em momento algum nos quatro anos que eu estive à frente da
secretaria de finanças do PT, vinculei doação a contrato", afirmou
Ferreira na entrevista.
Além das prisões relacionadas ao PT, policiais
federais foram à sede do partido no centro de São Paulo. Os presos e o material
apreendido serão encaminhados à sede da Polícia Federal, na capital paulista.
A PF informou que o objetivo da operação, batizada
de Custo Brasil, é apurar o pagamento de propina referente a contratos de
prestação de serviços de informática pela empresa Consist no valor de R$ 100
milhões, entre os anos de 2010 e 2015, a pessoas ligadas a funcionários e
agentes públicos ligados ao Ministério do Planejamento.
Um mandado de prisão preventiva tem como alvo advogado Guilherme de Salles
Gonçalves, que participou da campanha da senadora Gleisi
Hoffmann para o Senado, em 2010, e à prefeitura de Curitiba, em 2008. Ele não
foi detido porque está no exterior, de acordo com a Polícia Federal.
Ao todo, a operação tem 65 mandados judiciais em
São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Distrito Federal.
Do total de mandados nesta quinta, 11 são de prisão
preventiva, 40 de busca e apreensão e 14 de condução coercitiva, quando a
pessoa é levada a prestar depoimento. Um dos mandados de busca foi cumprido na
casa de Bernardo e Gleisi, no bairro Água Verde, em Curitiba.
Em nota, a defesa de Paulo Bernardo disse que a
prisão é ilegal e que o ex-ministro não teve envolvimento em eventuais
irregularidades no Planejamento (veja nota dos advogados no final desta
matéria).
Por telefone, Gabas falou à GloboNews que está em
casa e à disposição para esclarecimentos. Ele disse ainda que quer que tudo
seja esclarecido, que os culpados paguem e os inocentes sejam absolvidos e
liberados.
Esquema - De acordo
com a Polícia Federal, o Planejamento, durante a gestão de Bernardo, direcionou a contratação da Consist para operacionalizar o crédito consignado a funcionários
públicos da União.
"Segundo apurou-se, 70% dos valores recebidos
por essa empresa eram repassados a pessoas ligadas a funcionários
públicos ou agentes públicos com influência no MPOG [Ministério do
Planejamento] por meio de outros contratos - fictícios ou simulados",
disse a PF.
Ainda segundo os investigadores, um escritório de
advocacia ligado a Paulo Bernardo recebeu cerca de R$ 7 milhões entre 2010 e
2015 por meio de esquema.
Os crimes investigados na operação são de tráfico
de influência, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e
organização criminosa, com penas de 2 a 12 anos de prisão.
Outros mandados - A PF cumpriu ainda dois mandados em Porto Alegre, um de busca e
apreensão e outro de prisão, e também dois mandados de busca e apreensão em
Londrina (PR).
No Recife, foram presos Emanuel Dantas do
Nascimento, sócio de empresa Consucred, e Joaquim José Maranhão, também
sócio de empresa
Também há três mandados de busca e apreensão na
capital pernambucana.
Entre os presos nesta manhã estão ainda Daisson
Silva Portanova, advogado no Rio Grande do Sul, e Nelson Luiz Oliveira Freitas,
ex servidor do Planejamento.
Histórico - Paulo
Bernardo e Gleisi haviam sido indiciados pela PF em março por suspeitas de que
dinheiro desviado da Petrobras abasteceu em 2010 a campanha ao Senado da
parlamentar.
A PF disse na ocasião ter indícios suficientes
contra o ex-ministro e a senadora. As conclusões da Polícia Federal foram
anexadas ao inquérito 3979, que tramita no Supremo Tribunal Federal , na
Operação Lava Jato.
Um dos delatores da Lava Jato, o doleiro Alberto
Youssef, afirmou em sua delação premiada ter recebido determinação do
ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa para entregar R$ 1 milhão para a
campanha de Gleisi Hoffman do Paraná.
Isso teria sido feito em um shopping de Curitiba. A
quantia teria sido entregue pessoalmente por Yousseff a um homem. Youssef
afirmou que Gleisi sabia de todo o esquema. E que Paulo Bernardo pediu um
"auxílio" na campanha da mulher.
Depoimentos - Em
depoimentos à Polícia Federal em abril do ano passado, a senadora Gleisi
Hoffmann e o marido dela e ex-ministro Paulo Bernardo negaram irregularidades
na arrecadação para a campanha da petista ao Senado em 2010.
Gleisi e Bernardo negaram, ainda, solicitações de
doações ao doleiro Alberto Youssef. À PF, Paulo Bernardo disse que não fez
qualquer pedido de "auxílio" a Costa para a campanha de Gleisi.
Questionado sobre as anotações "PB" e
"1,0", encontradas na agenda de Paulo Roberto Costa apreendida pela
Polícia Federal, o ex-ministro disse não ter conhecimento das anotações.
Em depoimento à Justiça, Costa afirmou que as
anotações diziam respeito ao valor de R$ 1 milhão repassados a Paulo Bernardo
para a campanha da petista ao Senado.
Em seu depoimento, Gleisi Hoffmann também disse
desconhecer as anotações na agenda de Costa. Ela afirmou ainda que o empresário
Ernesto Kugler participou de alguns eventos da campanha de 2010, mas que năo
atuou na captação de recursos.
Veja íntegra da nota da defesa de Paulo Bernardo:
"O Ministério do Planejamento se limitou a
fazer um acordo de cooperação técnica com associações de entidades bancárias,
notadamente a ABBC e SINAPP, não havendo qualquer tipo de contrato público,
tampouco dispêndios por parte do órgão público federal. Ainda assim, dentro do
Ministério do Planejamento, a responsabilidade pelo acordo de cooperação
técnica era da Secretaria de Recursos Humanos e, por não envolver gastos, a
questão sequer passou pelo aval do Ministro.
Não bastasse isso, o inquérito instaurado para
apurar a questão há quase um ano não contou com qualquer diligência, mesmo
tendo o Ministro se colocado à disposição por diversas vezes tanto em juízo
como no Ministério Público e Polícia Federal.
A defesa não teve acesso à decisão ainda, mas
adianta que a prisão é ilegal, pois não preenche os requisitos autorizadores e
assim que conhecermos os fundamentos do decreto prisional tomaremos as medidas
cabíveis
NOTA DOS ADVOGADOS"
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