quarta-feira, 22 de junho de 2016

Nuvens de suor na Terra

 

O sol daquele dia estava se escondendo para voltar mais forte e incandescente no dia seguinte. Mas, ainda se fazia presente no vermelhidão pintado nas nuvens, ali colocadas por alguém que ainda não merecemos ver – parecendo a árvore incandescente mostrada no “monte onde mora Deus” do filme Os dez mandamentos.

O suor ainda me corria pela face. Parei instintivamente para tentar seca-lo. Apoiei a enxada na perna, tirei o chapéu, enxuguei o suor e levantei a vista – o que vi foi aquela imensidão de nuvens brancas no chão. Beijando a Terra que lhe deu vida. Eram as minhas nuvens de algodão, plantadas por mim com as mãos de Deus.

O branco do algodão  e do campo extenso que parecia não ter fim – o branco da Paz. O branco que precisa ser eterno e comungar com a irmandade fraterna para cobrir de vez o limo esverdeado da violência, da ignorância e da desumanidade. É por esse branco que minhas mãos ficam calejadas, feridas – mas a alegria é maior que a dor que elas (as feridas) causam. Meu trabalho, minhas feridas, meus calos, são todos pela Paz.

Levanto os olhos e o que a minha vista vê é um embaraçado provocado pela pintura avermelhada dos céus e a brancura das nuvens de algodão semeadas pelo suor que me correu nas faces e molhou a Terra.

É fruto do meu trabalho pela Paz – e Deus me transformou divinamente no seu arado, limpando cada erva daninha e semeando cada semente para o renascer da bondade entre os homens na Terra.

O algodão é o branco que o suor do meu trabalho me permitiu olhar. Quisera continuar sendo o arado divino para que muitos possam – um dia, qualquer dia – ter o direito de parar para ver o branco que estou vendo agora. O branco da Paz.

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