O sol daquele dia estava se escondendo para voltar mais
forte e incandescente no dia seguinte. Mas, ainda se fazia presente no
vermelhidão pintado nas nuvens, ali colocadas por alguém que ainda não
merecemos ver – parecendo a árvore incandescente mostrada no “monte onde mora
Deus” do filme Os dez mandamentos.
O suor ainda me corria pela face. Parei instintivamente
para tentar seca-lo. Apoiei a enxada na perna, tirei o chapéu, enxuguei o suor
e levantei a vista – o que vi foi aquela imensidão de nuvens brancas no chão.
Beijando a Terra que lhe deu vida. Eram as minhas nuvens de algodão, plantadas
por mim com as mãos de Deus.
O branco do algodão e do campo extenso que parecia não ter fim – o
branco da Paz. O branco que precisa ser eterno e comungar com a irmandade
fraterna para cobrir de vez o limo esverdeado da violência, da ignorância e da
desumanidade. É por esse branco que minhas mãos ficam calejadas, feridas – mas
a alegria é maior que a dor que elas (as feridas) causam. Meu trabalho, minhas
feridas, meus calos, são todos pela Paz.
Levanto os olhos e o que a minha vista vê é um
embaraçado provocado pela pintura avermelhada dos céus e a brancura das nuvens
de algodão semeadas pelo suor que me correu nas faces e molhou a Terra.
É fruto do meu trabalho pela Paz – e Deus me
transformou divinamente no seu arado, limpando cada erva daninha e semeando
cada semente para o renascer da bondade entre os homens na Terra.
O algodão é o branco que o suor do meu trabalho me
permitiu olhar. Quisera continuar sendo o arado divino para que muitos possam –
um dia, qualquer dia – ter o direito de parar para ver o branco que estou vendo
agora. O branco da Paz.
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