quarta-feira, 22 de junho de 2016

Nossa gente – todos no mesmo pódio



Terezinha Rêgo



A geração que está conseguindo viver além dos 60 anos consegue lembrar que, “naqueles tempos passados”, ainda que com grande dificuldade, desfrutávamos de outro tipo de vida no que se refere à saúde. Papeira, sarampo, coqueluche, bexiga, e muitas outras coisas que hoje são chamadas de viroses, perturbavam a vida (e o sonos) de muitos pais – aqueles que se preocupavam com os filhos.

Mas, a grande maioria lembra, também, o que se fazia para estancar um sangramento ou para “arrumar” um dedo do pé fora do lugar ou quebrado, quando jogávamos bola. A sangria era estancada com sal, pó de café e até a própria areia do campo onde se jogava bola.

Claro que o “chão” era outro.  O chão daqueles tempos não recebia a contaminação que recebe hoje provocando um prejuízo incalculável para o lençol freático.  Hoje ninguém é tão louco para “rebolar” areia sobre um ferimento.

É evidente que tínhamos “apenas” 90 milhões de habitantes em 1970 – como dizia a marchinha alusiva à Copa do Mundo – e hoje passamos dos 200 milhões. Imagine se não estivéssemos vivendo a guerra civil dos homicídios. Já seríamos, fácil, fácil, mais de 250 milhões.

A realidade hoje é outra. A demanda na área da saúde foi modificada – mas o investimento em pesquisa é deixado em segundo plano ou trocado por “apoios” a essa política que está sendo praticada nos dias atuais.

Temos uma Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e, até que se saiba, insignificante ou nenhum investimento na área da pesquisa científica voltada para a alimentação e a saúde. Na agricultura temos (dizem!) as terras mais férteis do País – e uma produção ou investimento que se aproximam do zero. Quase tudo que comemos vem de outros estados.

Formamos engenheiros agrônomos e não temos investimento na agricultura em benefício do Estado.

Felizmente, nem tudo (ou nem todos) está jogado no lixo. Muitos lembram de pessoas que deveriam ser esquecidas definitivamente, mas não lembram de Warwick Kerr (Warwick Estevam Kerr, nascido em Santana do Parnaíba, São Paulo, a 9 de setembro de 1922, é um geneticista, engenheiro agrônomo, entomologista e professor brasileiro reconhecido internacionalmente.

Nascido em 1922, em Santana do Parnaíba, em São Paulo, Kerr formou-se engenheiro agrônomo – vencendo as etapas do doutoramento e da livre-docência na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", onde foi professor, e, por quatro meses, chefe do Departamento de Genética. E todos reconheciam que o laboratório de Genética, em Piracicaba, era "um dos mais bem montados da USP".

Como Biólogo e Geneticista, Kerr iniciou sua carreira acadêmica numa época em que houve um extraordinário desenvolvimento dessas disciplinas em São Paulo, graças à presença de eméritos cientistas, como Carlos Arnaldo Krug, Friedrich Gustav Brieger, André Dreyfus e Theodosius Dobzhansky, este considerado como um dos maiores geneticistas do século XX. Incentivado por Dobzhansky, Kerr estagiou e deu aulas em diversas universidades norte-americanas (Louisiania, Califórnia, Wisconsin e Columbia University, em Nova York.)

Em 1955, Kerr foi chefe do Departamento de Biologia em Rio Claro no início da Unesp. Em 1965, assumiu a chefia do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina da USP – Ribeirão Preto, da qual se tornou professor titular por concurso em 1971.

Warnick Kerr foi também o primeiro diretor científico da Fapesp, no início de 1962, por sugestão de Paulo Emílio Vanzolini e Crodowaldo Pavan, tendo sido nomeado pelo governador Carvalho Pinto. Pediu demissão desse cargo em 1964, um mês antes do término de seu mandato, a fim de montar o Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Além de contribuir decisivamente na organização dessa entidade, Kerr empenhou-se na fundação de instituições com os mesmos objetivos da Fapesp em outros estados brasileiros.

Entre 1975 e 1979, transferiu-se para Manaus para reorganizar o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o Inpa, com forte apoio do dr. José Dion de Melo Teles, presidente do CNPq. A respeito de sua participação inicial nesse instituto, Kerr relata que, quando chegou à capital do estado do Amazonas, no Inpa trabalhavam apenas um mestre e um doutor. Quando saiu do Inpa, este contava com cinqüenta mestres e sessenta doutores, quatro cursos de pós-graduação e 233 pesquisadores. "O que fizemos", diz ele, "foi mandar para o sul ou para o exterior todo o pessoal aproveitável para fazer mestrado e doutorado. Também contratamos pessoal local ou de outras regiões, e até mesmo no exterior." Depois de aposentar-se da USP em janeiro de 1981, Kerr foi para o estado do Maranhão, onde permaneceu oito anos. Além de criar o Departamento de Biologia, foi reitor da Universidade Estadual do Maranhão. Em 1999, foi chamado de volta a Manaus para dirigir o Inpa, por mais três anos.

Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, desempenhou essa missão de 1969 até 1973, período marcado pelas inúmeras crises entre o governo militar e a comunidade científica e universitária, o que levou a SBPC, sob a liderança de Kerr, a uma clara postura de repúdio às arbitrariedades praticadas pela ditadura. Foi preso duas vezes (em 1964 e 1969).

Após terminar suas atividades no Maranhão, Kerr foi convidado a continuar suas pesquisas na Universidade Federal de Uberlândia. Embora aposentado, ao completar setenta anos, em 1992, orientou alunos na pós-graduação, deu aulas de Genética dos Hymenoptera e realizou suas próprias pesquisas até o ano de 2012.) que por anos foi referência nacional dirigindo uma universidade que nunca dispô de uma dotação orçamentária digna de incentivar a pesquisa.

Entretanto, em que pese a visão equivocada e estrábida dos goverrnantes maranhenses – sem exceção! – na área da pesquisa, ainda que de forma quixotesca, existem pessoas que sedão ao respeito e, aos trancos e barrancos contribuem de forma significativa par outrem.

É o caso dessa mulher:

Dra. Terezinha Rêgo

“Republicando aqui o artigo, pela intensa procura dos leitores do blog ultimamente. E é sempre bom saber que as boas coisas deste país ainda são, pelo menos pelo povo, valorizadas de alguma forma. Tem tanta gente por este Brasil fazendo coisas maravilhosas e que poucos de nós ficamos sabendo. O exemplo desta mulher é inspirador.

Terezinha Rêgo: 45 anos dedicados à flora medicinal maranhense

Reconhecida internacionalmente a doutora em Botânica e Fitoterapia, Terezinha Rêgo, 74 anos, mostrava interesse pela flora desde cedo. Aos oito anos ficava horas e horas observando as dálias cultivadas pela mãe no jardim da família (Casarão 151, Rua da Paz).

Quando teve que escolher uma profissão, não pensou duas vezes: Farmácia. O curso foi concluído em 1957 passando a trabalhar, inicialmente, nas invasões e periferias de São Luís. Foi nesse período que nasceu a sua preocupação com as pessoas que vinham do interior, acostumadas a tratar doenças com ervas e que na capital não encontravam as mesmas plantas.

Em 1960, ela se afasta desse trabalho e migra para São Paulo a fim de fazer seu doutorado em Botânica Geral. Ao retornar, em 1965, a Fitoterapeuta recomeçou em uma invasão chamada Padre Xavier e incentivava a comunidade a plantar ervas medicinais. “Quando eu voltei do doutorado, fiz também concurso para professora da Ufma e fui aprovada. E passei a me dedicar totalmente à pesquisa”, completa Terezinha Rêgo.

Especialista em Botânica, por Havana (Cubana), a Fitoterapeuta pesquisa há mais de 45 anos a flora medicinal maranhense e vem dando ao longo desses anos contribuição inestimável ao estudo das plantas medicinais, inclusive muitas já sendo produzidas em hortas comunitárias para fabricação de medicamentos largamente utilizados na sociedade maranhense, especialmente nas comunidades quilombolas.

A doutora Terezinha Rêgo é uma profissional com inúmeras homenagens e prêmios nacionais e internacionais, em razão dos seus grandes trabalhos e pesquisas científicas. Recentemente, a Fitoterapeuta representou o Maranhão na Câmara de Comércio Brasil/China, onde recebeu homenagem e reconhecimento pelo envio de três medicamentos produzidos à base de ervas para o combate à pneumonia asiática na China. “Sinto-me muito feliz de ter ajudado de alguma forma para amenizar o drama chinês. É muito gratificante ver o Maranhão e o meu trabalho reconhecido”, externou.

Os remédios produzidos por Terezinha Rego foram o xarope de urucum (Bixa orellana), indicado no tratamento da pneumonia e tuberculose; a tintura de assa-peixe (Vernoinia ruficoma), uma erva originária da Baixada Maranhense, própria para a amenização dos efeitos da asma, bronquite e efisema pulmonar; e a essência de cabacinha ( Luffa operculata), empregada em casos de sinusite, renite e adenóide.

A pesquisadora também colaborou no Acre, município de Xapuri, com cursos para agentes de saúde; na Inglaterra, onde expôs suas experiências no Museu Botânico e já foi incluída até no livro “Quem é quem no mundo”.

Hoje, Terezinha Rêgo coordena o Programa de Fitoterapia, na UFMA (Universidade Federal do Maranhão), visando à melhoria da qualidade de vida de diversas comunidades e presta atendimento no seu consultório no Campus da Ufma. Em São Luís, trabalha para as comunidades da Vila Padre Xavier, São Bernardo, Colégio Liceu Maranhense, Colégio Pequeno Príncipe, Colégio Gonçalves Dias, Casa da Família Rural da Maioba e Pirâmide. O seu trabalho estende-se também aos municípios de Alcântara, Cururupu, Cajapió, Governador Nunes Freire, Itapecuru, Lago da Pedra, Presidente Dutra e Timbiras.

Vale dizer que a doutora Terezinha Rego contribui ainda para assistência aos portadores de doenças sexualmente transmissíveis. Os portadores de DST’s utilizam 12 medicamentos fitoterápicos preparados pelo programa de Fitoterapia. “Não é a cura da Aids, mas esses medicamentos, sem dúvida, trazem alívio às doenças invasoras”, concluiu a Fitoterapeuta.

Mais informações: Consultório da Dr. Terezinha Rêgo; Contato: (98) 2109 8524; 2109 8527; 2109 8525;” E-mail: t.rego@elo.com.br.

Material compilado do saite: Como Saber – Fonte de Informações.

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