Desvinculação das
receitas da União em até 30% é instrumento esperado pelo governo temer para
tentar equilibrar as contas públicas e cumprir o déficit fiscal de R$ 170,5
bilhões.
A liderança do governo na Câmara quer aprovar,
ainda esta semana, a emenda constitucional que permite a Desvinculação das
Receitas da União (DRU). Esta é a prioridade do presidente interino Michel
Temer para tentar começar a reequilibrar as despesas da União. A DRU é o
mecanismo legal que permite o remanejamento de parte do orçamento entre as
áreas da gestão federal de até 30% dos recursos das receitas com arrecadação de
impostos, taxas diversas, contribuições sociais e até de multas cobradas pelo
governo. Com a flexibilização, e equipe econômica espera priorizar gastos e
adiar desembolsos para poder atingir a meta de déficit fiscal já aprovado pelo
Congresso de R$ 170,5 bilhões para este ano.
O relator da emenda na comissão especial, deputado
Laudívio Carvalho (SD-MG), manteve o percentual de 30% para o remanejamento, 10
pontos percentuais acima do que foi praticado em anos anteriores. Este é o
mesmo índice proposto no início do ano pela presidente afastada Dilma Rousseff.
No relatório o deputado fez uma modificação reduzindo o prazo para a aplicação
da DRU de 2013 para 2019. “A prioridade do governo é recuperar a economia e a
aprovação da DRU é fundamental para que o governo priorize seus gastos e dê
sinais de que está empenhado em fazer o país voltar a crescer”, disse o vice
líder do governo na Câmara, Darcício Perondi (PMDB-RS).
O relator da emenda também estendeu a Estados e
Municípios a possibilidade de remanejar no mesmo percentual o orçamento para
priorizar gastos. O remanejamento do orçamento da União não atinge setores como
educação e saúde que continuam recebendo os repasses previstos na legislação.
As transferências de recursos para estados e prefeituras também não serão
mexidas na emenda a ser votada.
Para ser aprovada na Câmara a emenda precisa de 308
votos. Depois, será submetida aos senadores. O governo vai tentar apressar esta
tramitação. Após a provável aprovação na comissão especial nesta terça-feira
(31), quer pautar para o plenário ainda na quarta-feira e enviada ao Senado no
mesmo dia. Os senadores deverão votar a proposta até a próxima semana.
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