quarta-feira, 22 de junho de 2016

Tem coisa melhor?

 

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Banho de chuva



Sou um Jornalista profissional aposentado que, para não ser totalmente dominado pelo ócio e pelo sedentarismo, vive inventando modas e manias (que outros, menos respeitosos chamam de “ideias de jerico”).

Também não quero trabalhar para Governo do Estado nem para Prefeitura – por entender que, com espírito independente e crítico, seria montar um ateliê de pinturas e maquiagem. Seria, também, ser conivente com esse estado de coisas e desmandos que está implantado aqui e alhures. Quem critica, ainda que construtivamente, é um estranho no ninho e pode ser atirado à sanha das formigas.

Isso – maquiar para agradar o patrão – eu jamais farei por dinheiro algum.

E, a partir disso tudo, as ideias fluem e o cérebro maquina a favor de produzir algo que, pelo menos a mim, me satisfaça. Estou na décima-terceira edição da série “Nossa gente – todos no mesmo pódio” que, na semana passada, apresentando o conhecidíssimo Luiz Phelipe Andrés, rendeu centenas de curtidas e muitos comentários reconhecendo o acerto dos dizeres e a escolha do, digamos, homenageado.

Surgiu assim, então, a ideia do “Tem coisa melhor?” – que pretende passar experiências e conhecimentos para as gerações que estão chegando, ainda que não desgrudem dos celulares. Fazer o quê?

Dar porradas? No nosso tempo de infância, parecia ser a solução. E era - para alguns pais. Mas, a esquina já foi dobrada e até o vento já fez a curva.

Infância de menino “malino” (um linguajar cearense, que tem o mesmo significado de “traquinas”), só fica boa e só faz sentido quando o “malino” faz coisas que os pais proíbem – muito mais, literalmente pensando na saúde e no bem-estar do filho.

E, banhar na chuva sempre foi algo que pais jamais conseguiram proibir ou controlar, até porque, eles próprios – os pais – também gostavam de fazer o mesmo na tenra idade.

Mas, quando o trovão chegava na companhia do raio, ninguém ousava desobedecer a redundância materna:

- Menino, entra pra dentro! Num tá escutando o trovão?!

- Ô mãe... só mais um pôquim! Eu tô bem escondidim do trovão! Deixa mãe!...

Esse “deixa mãe”, ainda existe nos dias de hoje?

Quando não havia trovão nem relâmpago, as mães até levavam sabonete, remédio para lavar a cabeça e matar as lêndeas, uma toalha e um calção limpo para vestir.

Tinha coisa melhor que isso?

Na então grande Fortaleza – ainda não existia a Região Metropolitana – as frentes das casas tinham janelas e meias-portas (aquelas portas serradas ao meio) e um “jacaré” no alto da casa, para permitir o escoamento da água da chuva. Em outros lugares, aqui, por exemplo, esse artifício tinha o nome de “biqueira”. Daí ter surgido o nome de “tomar banho de chuva na biqueira”.

Tinha coisa melhor que isso?

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