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Banho de chuva
Sou um Jornalista profissional aposentado que, para não
ser totalmente dominado pelo ócio e pelo sedentarismo, vive inventando modas e
manias (que outros, menos respeitosos chamam de “ideias de jerico”).
Também não quero trabalhar para Governo do Estado nem
para Prefeitura – por entender que, com espírito independente e crítico, seria
montar um ateliê de pinturas e maquiagem. Seria, também, ser conivente com esse
estado de coisas e desmandos que está implantado aqui e alhures. Quem critica,
ainda que construtivamente, é um estranho no ninho e pode ser atirado à sanha
das formigas.
Isso – maquiar para agradar o patrão – eu jamais farei
por dinheiro algum.
E, a partir disso tudo, as ideias fluem e o cérebro maquina
a favor de produzir algo que, pelo menos a mim, me satisfaça. Estou na
décima-terceira edição da série “Nossa gente – todos no mesmo pódio” que, na
semana passada, apresentando o conhecidíssimo Luiz Phelipe Andrés, rendeu
centenas de curtidas e muitos comentários reconhecendo o acerto dos dizeres e a
escolha do, digamos, homenageado.
Surgiu assim, então, a ideia do “Tem coisa melhor?” –
que pretende passar experiências e conhecimentos para as gerações que estão
chegando, ainda que não desgrudem dos celulares. Fazer o quê?
Dar porradas? No nosso tempo de infância, parecia ser a
solução. E era - para alguns pais. Mas, a esquina já foi dobrada e até o vento
já fez a curva.
Infância de menino “malino” (um linguajar cearense, que
tem o mesmo significado de “traquinas”), só fica boa e só faz sentido quando o
“malino” faz coisas que os pais proíbem – muito mais, literalmente pensando na
saúde e no bem-estar do filho.
E, banhar na chuva sempre foi algo que pais jamais
conseguiram proibir ou controlar, até porque, eles próprios – os pais – também
gostavam de fazer o mesmo na tenra idade.
Mas, quando o trovão chegava na companhia do raio,
ninguém ousava desobedecer a redundância materna:
- Menino, entra pra dentro! Num tá escutando o trovão?!
- Ô mãe... só mais um pôquim! Eu tô bem escondidim do
trovão! Deixa mãe!...
Esse “deixa mãe”, ainda existe nos dias de hoje?
Quando não havia trovão nem relâmpago, as mães até
levavam sabonete, remédio para lavar a cabeça e matar as lêndeas, uma toalha e
um calção limpo para vestir.
Tinha coisa melhor que isso?
Na então grande Fortaleza – ainda não existia a Região
Metropolitana – as frentes das casas tinham janelas e meias-portas (aquelas
portas serradas ao meio) e um “jacaré” no alto da casa, para permitir o
escoamento da água da chuva. Em outros lugares, aqui, por exemplo, esse
artifício tinha o nome de “biqueira”. Daí ter surgido o nome de “tomar banho de
chuva na biqueira”.
Tinha coisa melhor que isso?
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