quarta-feira, 13 de maio de 2015

A Casa do Português, os rabos-de-burro e a lambreta

 

Fortaleza virou metrópole. Antes, não fosse a intenção do ordenamento urbano na gestão municipal dos prefeitos Paulo Cabral de Araújo (31 de janeiro de 1951 a 25 de março de 1955) e Acrísio Moreira da Rocha (25 de março de 1955 a 25 de março de 1959), a cidade teria virado um pandemônio, por conta da seca avassaladora que tangeu o homem e castigou os municípios cearense. Sem opção de trabalho e de vida, os “flagelados” mudaram para Fortaleza.

E foi nesse intervalo entre uma gestão e outra que surgiu em Fortaleza a “Casa do Português”. Naqueles tempos corriam pela cidade, informações garantindo que a construção “desobedecia” gabaritos estabelecidos por Lei para a construção fora do que se entendia como “perímetro urbano central”. Isso teria bricado a continuidade e a conclusão do “maior edifício de Fortaleza” fora do Centro. Mas também há quem afirme que “faltou mesmo foi dinheiro” para o proprietário concluir a obra.

A casa de três andares (com 11 quartos e três banheiros apenas no primeiro deles), com uma rampa para automóveis que circunda sua robusta estrutura em concreto armado, chamou a atenção da população fortalezense desde sua inauguração, em 1950. Comentava-se sobre a imensidão da casa construída pelo fazendeiro e comerciante português José Maria Cardoso para abrigar sua pequena família, composta apenas de esposa e filho único – não por acaso ele deu o nome de Vila Santo Antônio ao imóvel. Mas o que principalmente provocava o burburinho era a arquitetura inusitada para a época, que a fez figurar em cartões postais da cidade na década de 1960 e se transformar numa referência arquitetônica de Fortaleza.

Depois de servir de morada por alguns anos para a família de José Maria, o imóvel foi sede da Empresa de Assistência Técnica de Extensão Rural do Ceará (Ematerce) de 1965 a 1984, abrigou uma oficina mecânica, e funcionou ali a Boate Portuguesa, entre outros usos, e figurou nas páginas dos jornais com notícias como a prisão de assaltantes e um suicídio.

A casa é ponto de referência de quem mora Fortaleza ou passa pela Avenida João Pessoa, no bairro Damas. O prédio “pitoresco”, como foi muitas vezes adjetivado ao longo de seus mais de 60 anos de existência, teve sua preservação argumentada por ser uma referência da cidade, marco simbólico, arquitetônico e afetivo de Fortaleza.  Em 1994,  a Casa do Português foi posta à venda, depois do frustrado leilão de dez anos antes no qual os herdeiros tentaram vende-la por 4 bilhões de cruzeiros.

A boêmia – As boas administrações municipais das décadas de 50, 60 e 70 possibilitaram um cr4escimento vertiginoso da capital cearense. Bairros cresceram e se desenvolveram, aproximando alguns municípios, hoje transformados em Zona Metropolitana. Antes, para o Norte, Fortaleza “acabava” no final da Avenida Mister Hull – quando começava o perímetro urbano de Caucaia. No extremo sul, a capital “acabava” na Aerolândia que ainda contava com o “Cocó” dividindo Fortaleza de Messejana.

No rumo do Centro-Oeste, as ramificações para Maracanaú e Maranguape. Era o bairro da Parangaba que separava Fortaleza desses dois ramais. E era no bairro Parangaba que residia um dos ícones da boêmia fortalezense daqueles anos: Ivan Paiva, o mais famoso “Rabo de Burro” de todos os tempos, introdutor do hábito de pilotar lambreta, transformando o estranho veículo no objeto de desejo da juventude.

Graças às atitudes fortes do então Prefeito General Manuel Cordeiro Neto (o “Homem da Lata”), que dirigiu a cidade no período de 25 de março de 1959 até 25 de março de 1963, que investiu forte no aparelhamento da Guarda Municipal, o vandalismo não progrediu em Fortaleza – e nem era essa a intenção da juventude que tinha Ivan Paiva como ídolo.

“Motoneta, motinha, lambreta, scooter ou vespa é um veículo motorizado de duas rodas no qual o condutor condiciona suas pernas para a frente de seu tronco, sobre uma plataforma, em vez de para os lados, como ocorre nas motocicletas.

A Vespa é uma linha de motonetas fabricada pela primeira vez em Pontedera, Itália, pela Piaggio & Co, S.p.A. A apresentação das primeiras 15 motos Vespa ocorreu em abril de 1946, no Club de Golf de Roma. Os pais da nova moto eram o empresário Enrico Piaggio e o engenheiro aeronáutico Corradino D'Ascanio.

Ao terminar a Segunda Guerra Mundial, Piaggio teve a visão de um meio de transporte cômodo, de fácil manejo e barato. Com um primeiro protótipo que não lhe custou nada, recorreu a D'Ascanio. O engenheiro, que por sua vez gostava mais dos aviões que das motos, desenhou um veiculo de aspecto revolucionário para sua época: colocou o motor sobre a roda traseira e imaginou o guidão pensando em um trem de pouso de um avião. Diz a lenda que, quando Piaggio a viu, exclamou: «Bello, sembra una vespa» ("Bonito, parece uma vespa", em italiano), alucinado pela forma do veículo: parte traseira mais grossa conectada à parte frontal por uma cintura delgada, e o guidão como as antenas.[carece de fontes?]

As Vespas mais antigas possuem transmissões manuais, controladas através do giro do punho esquerdo, enquanto se aperta o manete da embreagem, escolhendo uma das 3 ou 4 marchas. Também tinham motores de dois tempos, exigindo uma mistura de óleo e gasolina para lubrificar o pistão e o cilindro. A mistura de óleo e gasolina produzia grande quantidade de poluentes. As crescentes restrições ambientais obrigaram a Piaggio a sair do mercado dos Estados Unidos em 1985. As Vespas teriam desaparecido totalmente de cena não fossem os entusiastas que mantiveram as clássicas scooters em operação, reconstruindo-as e restaurando-as.” (Transcrito do Wikipédia)

 

 

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