Você acha que já chegaram ao auge as
encrencas dos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado,
Renan Calheiros (PMDB-AL), contra o governo por conta das acusações contra
ambos na Operação Lava Jato?
Nada disso. O pior ainda está por
vir. A crise deve esquentar mesmo a partir de julho. É neste mês que os
funcionários da Procuradoria-Geral da República acreditam que o seu chefe,
Rodrigo Janot, deverá divulgar o primeiro lote de denúncias dos processos
contra os envolvidos. Incluindo os políticos.
Existe um processo-mãe, onde estão
quase todos os acusados, e existem processos menores, contra um ou outro nome,
ou contra grupos específicos.
A expectativa é de que Janot divulgue
em julho sua avaliação sobre os processos específicos contra Eduardo Cunha e
contra Renan. Deixando para agosto ou setembro o processo maior. Na bolsa de
apostas do Judiciário, o favoritismo é para quem acredita que Cunha e Renan já
serão denunciados nos primeiros processos.
Aí será um “salve-se quem puder” na
política brasileira.
Na Câmara, o deputado Paulinho da
Força, um dos principais aliados de Cunha, já está tentando incluir no projeto
de emenda constitucional que fixa mandatos de ministros do Supremo um artigo
proibindo a recondução de procuradores-gerais ao cargo.
Paulinho também tem se mexido para
levar Janot a depor na CPI da Petrobras. Até não conseguiu. Nem convocar o
procurador-geral, nem as assinaturas para a emenda contra a recondução.
O mandato de Janot vence em setembro
e as avaliações até agora apontam pelo desejo da presidente Dilma Rousseff de
propor a sua recondução, se ele encabeçar a lista tríplice da Procuradoria. Se
Dilma não propuser a recondução, pode parecer, para a opinião pública, que ela
teme as denúncias do procurador na Operação Lava jato.
Mas os aliados de Cunha tem mandado
recados ao Planalto pedindo que Dilma não proponha a recondução de Janot. Se
ela o fizer, o fogo contra o governo na Câmara será muito maior do que até
agora.
E no Senado… Bem, no Senado é onde,
em caso de recondução, Janot teria que ser sabatinado. Se há pressão agora
contra a indicação de Luiz Edson Fachin para ministro do Supremo, imagine o que
fará o grupo de Renan, José Sarney & Cia contra Janot.
Agora imagine como estará o cenário
político depois de julho, caso os dois presidentes do Congresso sejam
formalmente denunciados em julho.
Você ainda acha que estamos no auge
da encrenca política neste primeiro semestre?
Agora imagine tudo o que pode ocorrer
a partir de julho somado a um aperto ainda maior na economia.
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