Afirmação é da secretária nacional de Promoção dos
Direitos da Criança e do Adolescente. Ela participou de audiência pública da
CPI da Violência contra Jovens Negros e Pobres
Nas últimas décadas, o Brasil reduziu
a morte de crianças por desnutrição, mas ainda não conseguiu impedir que elas
morram vítimas da violência na adolescência.
A constatação foi feita nesta
quinta-feira (28), na Câmara dos Deputados, pela secretária nacional de
Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da Secretaria de Direitos
Humanos (SDH) da Presidência da República, Angélica Moura Goulart.
Ela participou de audiência pública
realizada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência contra
Jovens Negros e Pobres.
Segundo Angélica, 42 mil
adolescentes, de 12 a 18 anos, poderão ser vítimas de homicídio nos municípios
brasileiros com mais de 100 mil habitantes entre 2013 e 2019, caso o ritmo
atual de assassinatos não sofra uma redução.
Estudo - Os números fazem parte de estudo divulgado em
janeiro pela organização civil Observatório de Favelas, em parceria com a SDH,
a Unicef e o Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do
Rio de Janeiro (LAV/Uerj), que mediu o Índice de Homicídios na Adolescência
(IHA).
“As crianças não estão mais morrendo
de desnutrição no início da vida; suas vidas estão sendo prolongadas. Mas elas
têm um encontro marcado com a morte a partir da adolescência”, disse Angélica.
De acordo com o estudo, em 2012,
36,5% de todos os adolescentes falecidos na faixa dos 10 aos 18 anos perderam a
vida em decorrência da violência. Isso é quase oito vezes mais do que o
percentual de mortes violentas para a população total (4,8%).
“Esse índice é assustador e acho que ele
é uma demonstração de que não há como a gente não tratar mais essa situação,
não trazê-la como uma prioridade”, afirmou Angélica Goulart.
Programa - A secretária está à frente do Programa de Proteção
a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM), que foi apresentado aos
integrantes da CPI durante o debate. Feito por meio de convênios com os
estados, o programa fornece proteção para crianças, jovens e seus familiares
que estão sob ameaça de agressão. A proteção é feita por organizações da
sociedade civil contratadas pelos estados, por licitação, para fazer o serviço.
De 2003, ano de sua criação, até
2014, o PPCAAM atendeu 8.090 pessoas. Dessas, 3.005 foram crianças e
adolescentes, e o restante (5.085), seus familiares.
Política de Estado - O presidente da CPI, deputado Reginaldo Lopes
(PT-MG), elogiou o programa federal, mas defendeu a sua transformação em
política de Estado. Segundo ele, da forma como hoje é feito, por meio de
convênios, o programa encontra fragilidades, principalmente orçamentárias.
Lopes lembrou que são comuns os
bloqueios de repasses para convênios por problemas como falta de recursos ou a
burocracia da prestação de contas. “Não dá para ter programa dessa natureza por
convênio. Perde-se na burocracia e não tem continuidade, porque você pode, por
questões orçamentárias ou por prestação de contas, inviabilizar”, afirmou.
Ele e a relatora da comissão,
deputada Rosangela Gomes (PRB-RJ), defenderam também que a CPI aprove uma
legislação específica os programas de proteção a pessoas. Tramita na Câmara,
desde 2007, um projeto de lei do Executivo que cria o Programa Federal de
Proteção Especial às Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (5234/05). O texto nunca foi votado na Casa.
Para Lopes, a proposta pode ser o
embrião de uma legislação mais ampla voltada à proteção de pessoas ameaçadas. Reportagem
– Janary Júnior - Agência
Câmara Notícias)
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