Por Fausto Macedo,
Ricardo Brandt,
Mateus Coutinho e
Julia Affonso
Ex-parlamentares são os três primeiros políticos presos na operação; PF
cumpre 32 mandados em seis Estados e no DF.
O
ex-deputado André Vargas (sem partido) foi preso nesta sexta-feira, 10, em
Londrina (PR) na 11ª etapa da Operação Lava Jato denominada “A Origem”,
deflagrada nesta manhã. Também foram preso os ex-deputados Luiz Argôlo (SD-BA)
e o ex-parlamentar já condenado no mensalão e atualmente cumprindo pena no
regime semiaberto, Pedro Corrêa (PP-PE). As investigações desta etapa abrangem
crimes que vão além da Petrobrás e envolvem até contratos de publicidade da Caixa
Econômica Federal e do Ministério da Saúde.
Ao todo,
cerca de 80 Policiais Federais cumprem 32 mandados judiciais: sete mandados de
prisão, nove mandados de condução coercitiva e 16 mandados de busca e apreensão
nos Estados do Paraná, Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro, São
Paulo e no Distrito Federal. Os ex-parlamentares são os três primeiros
políticos a serem presos na operação.
Nesta
etapa, estão sendo investigados os crimes de organização criminosa,
formação de quadrilha, corrupção ativa, corrupção passiva, fraude em
licitações, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e tráfico de influência
envolvendo os três grupos dos ex-deputados, que atuaram além da Petrobrás.
Foram detidos temporariamente Leon Vargas, irmão do ex-deputado André
Vargas, Eliá Santos da Hora, secretária de Argôlo e o publicitário Ricardo
Hoffmann. O outro preso, identificado como Ivan Mernon da Silva Torres, é apontado
como laranja de Corrêa.
Ex-deputados. Vargas é investigado por quatro
frentes na Lava Jato. Segundo a força-tarefa, a agência de publicidade BorghiLowe Propaganda e Marketing
Ltda. que administra contas publicitárias de órgãos como a Caixa Econômica
Federal e o Ministério da Saúde, teria contratado serviços das empresas E-noise,
Luís Portela, Conspiração, Sagaz, BH Serviços de Comunicação e Zulu
Filmes para a realização de serviços de publicidade para o banco estatal e o
ministério, e as orientado a realizar pagamentos de comissões de bônus de
volume nas contas das empresas Limiar e LSI controladas por André Vargas e seus
irmãos.
A Polícia
Federal vê “padrão semelhante” com o esquema do mensalão envolvendo agências de
publicidade ligadas ao ex-deputado. As agências subcontratavam produtoras do
ex-petista. O bônus de 10% que deveria ser direcionado pelas produtoras para as
agências acabava pulverizado em propinas para políticos.
Ele está sob suspeita também por lavagem de dinheiro na
compra da própria casa em Londrina, no interior do Paraná. O imóvel foi sequestrado por
ordem do juiz federal Sérgio Moro. Vargas declarou a compra do imóvel por
R$ 500 mil, segundo consta da escritura. Mas o vendedor, em sua declaração de
rendimentos, declarou o negócio por R$ 980 mil, “preço integralmente recebido
em 2011″.
É investigado ainda o repasse de R$ 2.399.511,60, em
espécie, do doleiro Alberto Youssef, personagem central do esquema de corrupção na
Petrobrás, para o ex-deputado. Segundo o juiz federal Sérgio Moro, que conduz
todas as ações da Lava Jato, ‘os fatos configuram crimes de corrupção e de
lavagem de dinheiro’.
Seu
envolvimento com o doleiro levou Vargas a ter o mandato cassado em dezembro do
ano passado e também ser expulso do PT.
Argôlo
também é alvo de quatro inquéritos na Justiça Federal na Paraná. Sua prisão foi
decretada, dentre outros motivos, por ele ser acusado de receber ao menos R$ 1,2 milhão do doleiro Alberto
Youssef e, segundo as investigações da Polícia Federal, ter ainda se tornado
sócio dele na empresa Malga Engenharia. O próprio doleiro, em sua delação, afirmou que
fez repasses a Argôlo, alguns sem relação com os desvios na Petrobrás, desde
quando o conheceu, em 2011. O ex-parlamentar deixou o PP no fim de 2013 e
transferiu-se para o Solidariedade.
O
ex-deputado Pedro Corrêa, por sua vez, foi condenado a sete anos e dois meses
de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no mensalão e vinha
cumprindo pena no regime semiaberto no Centro de Ressocialização do Agreste, a
210 km de Recife (PE). No despacho em que decretou sua prisão, o juiz
Sérgio Moro afirmou que o ex-parlamentar recebeu propinas do esquema de
desvios na Petrobrás mesmo quando estava sendo julgado pelo Supremo no
escândalo do mensalão.
Ele teria usado contas da nora, de ex-assessores e de um
funcionário de sua fazenda para receber recursos desviados da Petrobrás. A informação consta do inquérito
que apura a participação do ex-congressista no esquema de corrupção alvo da
Operação Lava Jato.
Nova
fase. O
nome da etapa da operação deflagrada nesta sexta faz referência às
investigações dos ex-parlamentares, cujo envolvimento com o esquema do doleiro
Alberto Youssef foi descoberto nas primeiras etapas da Lava Jato, no ano
passado. Os casos de Argôlo e Vargas chegaram a ser encaminhados ao Supremo,
mas retornaram à Justiça Federal neste ano, pois eles perderam o foro privilegiado
. Os ex-parlamentares foram presos preventivamente, quando não há prazo para
que deixem a prisão, e serão encaminhados para a Superintendência da Polícia
Federal em Curitiba.
Deflagrada
em março de 2014, a Lava Jato começou a partir da investigação de quatro grupos
de doleiros acusados de lavar cerca de R$ 10 bilhões. Com o decorrer das
investigações, contudo, as autoridades descobriram que o esquema era muito mais
amplo e envolvia desvio de dinheiro em obras da maior estatal brasileira, a
Petrobrás, para abastecer o caixa de partidos políticos como PP, PMDB e PT,
tendo abastecido também PSB e PSDB.
Os
desvios ocorriam nas diretorias de Abastecimento, comandada por Paulo Roberto
Costa – indicado pelo PP ao cargo – até 2012, Serviços, comandada pelo indicado
pelo PT Renato Duque até 2012 e Internacional, comandada por Nestor Cerveró.
Por meio do esquema, um grupo de empreiteiros organizados em cartel definia
quem venceria as licitações da estatal e pagava propina para as diretorias,
em porcentagens que variavam de 1% a 3% dos valores dos contratos. Todos
os três ex-diretores já foram presos pela PF na operação.
Com o
avanço das investigações, Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa foram presos e
decidiram colaborar com a Justiça e contar o que sabem em troca de benefícios,
como redução da pena, por meio de um acordo de delação premiada.
Eles
relataram o envolvimento de vários políticos no esquema e o caso chegou à
Procuradoria-Geral da República, responsável por investigar políticos com
prerrogativa de foro. Atualmente já são 50 políticos alvos de inquérito
no Supremo Tribunal Federal, incluindo os presidentes da Câmara e do Senado,
Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Renan Calheiros (PMDB-AL), respectivamente.
Também
foram abertos dois inquéritos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para
investigar os governadores do Rio de Janeiro e do Acre, respectivamente Luiz
Fernando Pezão (PMDB) e Tião Viana (PT), além do ex-governador do Rio Sérgio
Cabral (PMDB).
A defesa
de Luiz Argôlo não foi localizada.
COM A
PALAVRA, A CAIXA.
A Caixa
Econômica Federal informa que abrirá apuração interna para averiguar os fatos
revelados hoje pela Polícia Federal no âmbito da investigação da Operação Lava
Jato. A CAIXA reitera que colaborará integralmente com as investigações e
informa que encaminhará imediatamente todos os contratos relacionados às
empresas citadas à Controladoria Geral da União, Polícia Federal e Ministério
Público.
COM A
PALAVRA, O MINISTÉRIO DA SAÚDE.
“Esclarecimento
sobre a operação Lava Jato
O
Ministério da Saúde informa que não firmou contrato com a empresa Labogen. Em
todas as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo, a relação do Ministério é
com os laboratórios oficiais, que podem buscar parceiros privados. Em 2013, ao
tomar conhecimento do relatório da Polícia Federal sobre a Operação Lava-Jato,
o Ministério imediatamente suspendeu o termo de compromisso selado com o
Laboratório da Marinha, antes mesmo da assinatura de contrato ou de qualquer
repasse de recursos públicos. Isso significa que a proposta envolvendo a
Labogen sequer passou da fase do cumprimento dos requisitos para assinatura de
contrato.
Em
relação à contratação de agências de publicidade, o Ministério esclarece que os
contratos para a realização de campanhas de utilidade pública cumprem todos os
requisitos exigidos na legislação de licitação (Nº 8.666 de 21 de junho de
1993). A última concorrência pública ocorreu em 2010 e selecionou quatro
agências. Os contratos têm vigência de um ano, podendo ser renovado por até
cinco anos.
A partir
das informações reveladas pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (10),
o Ministério da Saúde abriu apuração interna para analisar as denúncias de
irregularidades e avaliar as medidas cabíveis.
Ainda, as
informações dos contratos de publicidade, do período em análise pela Polícia
Federal, serão encaminhadas para a Controladoria Geral da União e Polícia
Federal e ficarão à disposição dos demais órgãos de controle, como Tribunal de
Contas da União e Ministério Público, para reforçar as medidas de controle e
auxiliar nas investigações.
O
Ministério da Saúde está à disposição da Polícia Federal e demais órgãos de
controle para quaisquer esclarecimentos sobre os processos da Labogen e da
empresa de publicidade.”
COM A
PALAVRA, A BORGHILOWE.
Hoje, um
juiz federal emitiu uma ordem judicial para coletar
informações nos escritórios da BorghiLowe em conexão
com a investigação conhecida como operação “Lava
Jato”. Entendemos que as autoridades estão buscando informações
quanto a um ex-funcionário. A empresa cooperou ativamente
atendendo a ordem judicial e continuará a fazê-lo.
COM A
PALAVRA, A DEFESA DE ANDRÉ VARGAS.
O
advogado João Gomes Filho, que está representando André Vargas, afirmou que vai
estudar o mandado de prisão para ver a melhor forma de entrar com um habeas
corpus.
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