Machado – arma contra a vida que, para existir, precisa
da madeira
O ontem que há pouco tempo foi hoje, será amanhã,
quando o hoje terminar. Isso seria um motivo poético para o nascer, o viver e o
falecer. Mas, e o que permeia entre cada uma dessas fases, não conta?
Um “canudo” de uma onda, formado no mar da Ilha de Oahu
no Havaí, que os surfistas resolveram chamar de “waimea”, ou, ainda, a
“pipeline” ou até mesmo a “teahupoo” encontrada na Ilha do Taiti, na Polinésia
Francesa é algo passageiro que nasce, “vive” e morre, com a rapidez
inexplicável e mutante das correntezas. É algo que marca a sua existência, vive
sua glória e vai embora.
Mas, sejamos reais. Existem coisas não tão rápidas
assim. E, por serem assim, precisam ser respeitadas como obra da Natureza. A castanheira,
a sequoia ou o ipê são árvores que deveriam ser eternas. São os opostos das
ondas que formam os canudos no mar. Precisam do tempo que a Natureza lhes dá
para viver.
E, o que o homem, especialmente o brasileiro, tem feito
para que seres vivos como as árvores e algumas espécies animais completem o seu
ciclo de vida? Qual poderia ser o ciclo de vida de uma sequoia ou de uma tartaruga-gigante-de-aldabra (Geochelone
gigantea) ?
No Brasil, provavelmente
para agir exclusivamente de forma burocrática, governos criaram o Ministério do
Meio Ambiente (que troca de nome e de objetivos, tanto quanto mulheres mudam de
calcinhas) que, sem analisar acertos ou erros trocam de bifurcação de quatro em
quatro anos.
Criado inicialmente com a
denominação de Ministério do Desenvolvimento Urbano e do Meio Ambiente,
em 15 de março de 1985, no governo de José Sarney, através do decreto nº 91.145. Anteriormente as atribuições desta
pasta ficavam a cargo da Secretaria Especial de Meio Ambiente, do então
denominado Ministério do Interior, criada através do decreto nº 73.030, de 30 de
outubro de 1973.
Em 1990, no governo Fernando Collor de Mello, o Ministério do Meio Ambiente foi transformado
em Secretaria do Meio Ambiente, diretamente vinculada à Presidência da República. Esta situação foi revertida pouco mais de dois
anos depois, em 19 de novembro de 1992, no governo Itamar
Franco.
Em 1993, foi transformado em Ministério do Meio
Ambiente e da Amazônia Legal e, em 1995, em Ministério do Meio Ambiente, dos
Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, adotando, posteriormente, o nome de Ministério
do Desenvolvimento Urbano e do Meio Ambiente. Em 1999, no governo Fernando Henrique Cardoso, retornou à denominação de Ministério do
Meio Ambiente.
Acredita-se que os
“exploradores” se aproveitem dessa barafunda para agir. Para desmatar,
derrubando árvores seculares antes que elas completem seus ciclos de vida e
atendam a uma serventia inadequada.
As nossas árvores estão sendo destruídas com a mesma
rapidez (e a falta de importância que o homem lhes dá) que os “canudos” se
desfazem no quebra-mar. Alguém precisa fazer alguma coisa – que as instituições
criadas e mantidas com os impostos que pagamos estão permitindo a evaporação
pela camada de ozônio.
Mas, como se dizia num passado não tão distante,
“melhor prevenir, que remediar”?
Para não lhes dar ao trabalho de procurar um mapa do
continente brasileiro, poupo-lhes, e digo que, na região amazônica – que
imaginamos de floresta maior e mais densa – nossos vizinhos são: Guiana
Francesa, Suriname, Venezuela, Colômbia Peru e Bolívia.
Pois bem: como e por onde sai a quantidade absurda de
madeira proveniente do desmatamento na região amazônica?
Numa época em que a tecnologia atende quase todas as
demandas, como carradas e carradas de madeira (proibida por Lei) são
transportadas para Belém ou para o Porto de Paranaguá sem serem “vistas ou
encontradas” pelos órgãos fiscalizadores?
Existe algum motivo para sugerir “conivência”?
Na prática, parece mais difícil que essa madeira seja
transportada (e contrabandeada) pelas fronteiras dos países acima citados, por
absoluta perda de tempo com estradas ruis e com a pequena vigilância – mas
existente! – nessas fronteiras. Acaba sendo mais prático viajar dias e semanas
para o Porto de Paranaguá.
Ora, segundo dados pesquisados, o Ministério do Meio
Ambiente tem como orçamento para o ano de 2015, exatos R$3,5 bilhões. Isso sem
contabilizar o que provavelmente arrecada com a aplicação de multas a
infratores – imagina-se que esses valores sejam apensos ao orçamento.
Duas perguntas que não querem e não aceitam calar:
1 – É um problema difícil de resolver ou não existe
interesse em resolver, por absoluto envolvimento de esquilos, pica-paus ou
cupins?
2 – O que é feito com a madeira apreendida – será que
vira mesões de reuniões dos 38 desnecessários ministérios ou é transformada em
lucros que engordam depósitos em bancos de paraísos fiscais?
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