Na primeira derrota do governo nas
votações das medidas provisórias do ajuste fiscal, o Plenário da Câmara dos
Deputados aprovou, por 232 votos a 210, emenda à MP 664/14 que dá alternativa
ao trabalhador, na hora da aposentadoria, de aplicar a chamada regra 85/95 em
vez do fator previdenciário.
O autor da emenda, deputado Arnaldo
Faria de Sá (PTB-SP), disse que a regra significa um avanço para o fim do
fator. “O fator previdenciário reduz em 40% a aposentadoria dos trabalhadores e
tem de acabar porque é uma grande injustiça”, afirmou.
A regra 85/95 permite que a mulher se
aposente quando a soma de sua idade aos 30 anos de contribuição for de 85 e, no
caso do homem, a soma da idade a 35 anos de contribuição somar 95. Com essa
regra, a aposentadoria seria integral em relação ao salário de contribuição.
Para os professores, haveria diminuição de 10 anos nesses totais.
Antes da votação, o líder do governo,
deputado José Guimarães (PT-CE), pediu à base aliada para seguir o compromisso
assumido pelo governo, por meio de negociações com o vice-presidente Michel
Temer, de que o assunto será tratado em 180 dias por meio de uma comissão que
reunirá representantes da sociedade, do governo e do Congresso. “Essa emenda
não resolve por completo a questão, que é mais complexa e precisa ser discutida
na busca de uma fórmula final”, afirmou.
Guimarães ressaltou que, se passar
pelo Senado, a emenda poderá ser vetada pela presidente Dilma Rousseff.
O presidente da Câmara, Eduardo
Cunha, avaliou que o "caminho natural" dessa mudança é o veto
presidencial, mas que o governo deverá acelerar a apresentação de uma proposta
alternativa, para evitar que o veto seja derrubado no Congresso.
"O que o governo deverá fazer é
abreviar esse tempo de 180 dias para, quando vetar, ter condição de a proposta
acabar sendo aceita por todos, e será. O governo já tinha sinalizado que ia dar
uma solução. Então, provavelmente essa solução é a que vai prevalecer",
disse Cunha.
Divergência na base - Dois partidos da base aliada, PDT e PCdoB, votaram integralmente
a favor da emenda, contra a indicação do governo. O deputado Silvio Costa
(PSC-PE), vice-líder do governo, qualificou como “hermafrodita” a posição dos
dois partidos por não seguirem a orientação governista.
Já o deputado Weverton Rocha (PDT-MA)
disse que o partido foi coerente com o que haviam anunciado em Plenário de que
votariam contra o governo no tema. A líder do PCdoB, deputada Jandira Feghali
(RJ), afirmou que o partido votou a favor da emenda por ter uma luta histórica
contra o fator previdenciário.
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