Bruno Ceccon São Bernardo do Campo (SP) - Com a
presença do saltador Mauro Vinícius ‘Duda’ da Silva, a Confederação Brasileira
de Atletismo (CBAt) lançou na tarde desta quarta-feira um projeto que se propõe
a encontrar o DNA da modalidade no País. O evento ocorreu em São Bernardo do
Campo, sede do Troféu Brasil.
O projeto, resultado de uma parceira entre a CBAt e
o Instituto do Coração (InCor), envolve a análise do código genético de 500
competidores de diferentes disciplinas do atletismo. Com os dados de 60
indivíduos já coletados, a meta é encerrar o processo dentro de dois anos.
“Tudo indica que os atletas têm uma assinatura
genética diferenciada da população comum. Ou seja, a pessoa não é atleta de
ponta por acaso. Se não tiver uma bagagem genética favorável para força,
potência ou resistência física, pode treinar o quanto quiser, mas não vai
chegar ao topo”, explica Rodrigo Gonçalves Dias, do InCor.
A CBAt espera que o mapa dos genes que predizem a
performance física facilite a detecção de novos talentos. A entidade ainda
planeja usar as informações para melhorar o treinamento, minimizar lesões e
também acelerar o processo de recuperação de atletas.
Embora os objetivos estejam
traçados, os resultados são imprevisíveis, explica Gonçalves Dias, doutor em
Ciência do Exercício. “O que estamos fazendo é uma análise exploratória e livre
de hipóteses. Não sabemos o que vamos encontrar. Só sabemos que vamos encontrar
alguma coisa”, declarou.
Bicampeão mundial indoor no
salto em distância, Duda, tratado como garoto-propaganda do projeto, será um
dos atletas testados. “Espero que a coleta do meu material genético revele algo
de diferente”, declarou o pupilo do técnico Aristides Junqueira, também
presente ao evento.
Antônio Carlos Gomes, superintendente de alto
rendimento da CBAt, é um dos entusiastas do projeto. Além de testar 500
brasileiros, ele falou em aproveitar os eventos internacionais de primeira
linha para coletar dados de competidores da elite mundial.
Conciliar a coleta de
dados com a agenda de treinamento e competição dos atletas é uma das dificuldades
do projeto. Assim como a parte financeira, já que a empreitada foi orçada em R$
800 mil – José Antônio Martins Fernandes, presidente da CBAt, espera contar com
ajuda do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Ministério do Esporte para
bancar o programa.
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