sexta-feira, 15 de maio de 2015

CBAt lança projeto para buscar DNA do atletismo brasileiro

 

Bruno Ceccon São Bernardo do Campo (SP) - Com a presença do saltador Mauro Vinícius ‘Duda’ da Silva, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) lançou na tarde desta quarta-feira um projeto que se propõe a encontrar o DNA da modalidade no País. O evento ocorreu em São Bernardo do Campo, sede do Troféu Brasil.

O projeto, resultado de uma parceira entre a CBAt e o Instituto do Coração (InCor), envolve a análise do código genético de 500 competidores de diferentes disciplinas do atletismo. Com os dados de 60 indivíduos já coletados, a meta é encerrar o processo dentro de dois anos.

“Tudo indica que os atletas têm uma assinatura genética diferenciada da população comum. Ou seja, a pessoa não é atleta de ponta por acaso. Se não tiver uma bagagem genética favorável para força, potência ou resistência física, pode treinar o quanto quiser, mas não vai chegar ao topo”, explica Rodrigo Gonçalves Dias, do InCor.

A CBAt espera que o mapa dos genes que predizem a performance física facilite a detecção de novos talentos. A entidade ainda planeja usar as informações para melhorar o treinamento, minimizar lesões e também acelerar o processo de recuperação de atletas.

Embora os objetivos estejam traçados, os resultados são imprevisíveis, explica Gonçalves Dias, doutor em Ciência do Exercício. “O que estamos fazendo é uma análise exploratória e livre de hipóteses. Não sabemos o que vamos encontrar. Só sabemos que vamos encontrar alguma coisa”, declarou.

Bicampeão mundial indoor no salto em distância, Duda, tratado como garoto-propaganda do projeto, será um dos atletas testados. “Espero que a coleta do meu material genético revele algo de diferente”, declarou o pupilo do técnico Aristides Junqueira, também presente ao evento.

Antônio Carlos Gomes, superintendente de alto rendimento da CBAt, é um dos entusiastas do projeto. Além de testar 500 brasileiros, ele falou em aproveitar os eventos internacionais de primeira linha para coletar dados de competidores da elite mundial.

Conciliar a coleta de dados com a agenda de treinamento e competição dos atletas é uma das dificuldades do projeto. Assim como a parte financeira, já que a empreitada foi orçada em R$ 800 mil – José Antônio Martins Fernandes, presidente da CBAt, espera contar com ajuda do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Ministério do Esporte para bancar o programa.

 

 

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