Por Edson Sardinha e Gabriel Pontes
Chefes de 23
representações estaduais da CGU e outros 200 ocupantes de cargos de direção e
assessoramento superior (DAS) anunciam a entrega de seus cargos para pressionar
a saída de Fabiano Silveira. Servidores farão marcha até o Planalto para cobrar
a demissão do ministro.
Em protesto contra o ministro da Transparência,
Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, chefes de 23 representações
estaduais da Controladoria-Geral da União (CGU) e outros 200 ocupantes de
cargos de direção e assessoramento superior (DAS) anunciaram a entrega de seus
cargos nesta segunda-feira (30). Eles afirmam que não trabalham com o novo
ministro e cobram a imediata saída de Fabiano, flagrado em conversa gravada orientando o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o
ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado a se defenderem na Operação Lava
Jato.
Os nomes dos chefes demissionários foram lidos em
um carro de som durante o protesto que barrou a entrada de Fabiano no
ministério e promoveu uma lavagem, com água e sabão, na fachada da CGU e no
nono andar, onde fica o gabinete do ministro. Um grupo de servidores da CGU
cercou o carro de Fabiano e o impediu de entrar na sede do ministério. Cerca de
200 pessoas, segundo a Polícia Militar, ocupam a entrada do prédio, localizado
no Setor de Autarquias Sul. Os manifestantes devem sair daqui a pouco em marcha
até o Palácio do Planalto para cobrar a demissão de Fabiano.
Em nota divulgada nesta manhã, o Sindicato Nacional
dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacom) pediu a saída imediata
de Fabiano Silveira. “O Sr. Fabiano Martins Silveira, ao participar de reuniões
escusas para aconselhar investigados na operação Lava Jata, bem como ao fazer
gestões junto a autoridades e órgãos públicos a fim de apurar denúncias contra
seus aliados políticos ‘demonstrou não preencher os requisitos de conduta
necessários para estar à frente de um órgão que zela pela transparência pública
e pelo combate à corrupção’”, afirma o comunicado assinado por Rudinei Marques,
presidente do Unacom Sindical.
Além de cobrar a exoneração imediata de Fabiano
Silveira, o sindicato também pede a revogação da medida provisória assinada
pelo presidente interino Michel Temer que criou o Ministério da Transparência,
alterando a estrutura da CGU. Outro ponto reivindicado pelos sindicalistas é a
aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC 45/2009) que dá “soberania”
à CGU para investigar e apresentar laudos. Embora tenham conseguido o apoio de
todos os líderes partidários. Chegou a ficar em primeiro lugar na lista de
prioridades. Renan negou e disse que a pauta era muito corporativista e não
botou
O diálogo entre Fabiano Silveira e Renan foi
gravado na residência oficial do Senado em 24 de fevereiro, quando o atual
ministro era conselho do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O ministro também
fez recomendações a Machado sobre como ele deveria se comportar diante de uma
medida cautelar, conforme revela reportagem do Fantástico. Funcionário de carreira do Senado, Fabiano é considerado indicação de
Renan para o ministério.
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