Por Vitor Sorano - iG São Paulo
PSDB, PSB e PROS escolhem deputados conservadores para ocupar órgão.
'Tenho de me resignar', afirma socialista.
Defensor dos direitos da criança e do
adolescente, Eduardo Barbosa (PSDB-MG) foi nomeado em 7 de abril para a
comissão especial da Câmara dos Deputados que avalia a proposta da redução
da maioridade
penal. No dia seguinte, foi substituído.
No lugar, o partido colocou Jutahy Júnior (PSDB-BA), um ex-integrante da
bancada da bala favorável à redução da maioridade penal.
O motivo para a troca é
simples. "O PSDB é favorável à redução da maioridade penal",
justifica o vice-líder do partido na Câmara, Nilson Leitão (PSDB-MT). "O
governo falhou na educação e temos que adotar uma atitude radical para estancar
[a criminalidade juvenil]."
Barbosa diz que não pediu para ficar
na comissão, nem para sair. Membro do PSDB há 22 anos, ele afirma que a bancada
está "rachada" e questiona se o rumo que parte dela tem tomado está em
linha com a história e os princípios do partido.
"Eu fico decepcionado com essas
posturas [favoráveis à redução], que são conservadoras e radicais",
diz Barbosa. "Eu sou contrário e minha posição é irredutível."
O PSDB não está sozinho na seleção de
parlamentares favoráveis à redução da maioridade penal para ocupar cargos na
comissão especial que vai elaborar a proposta sobre o tema. PSB e o PROS seguiram
o mesmo caminho, tirando do órgão opiniões contrárias à mudança. Juntos, os
três partidos fizeram com que a maioria pró-redução subisse de 18 para 24 entre
os 27 membros da comissão. Nenhum partido trocou parlamentares favoráveis por
contrários.
"A posição majoritária dos
membros e a indicação da relatoria [ocupada por um ex-delegado] não é um
ambiente propício para o debate evoluir positivamente", diz Glauber Braga,
membro do PSB contrário à redução que perdeu a vaga titular. "Neste
momento, como liderado ainda no PSB, tenho que me resignar à quem está no posto
de líder."
O líder do PSB na Câmara, Fernando
Coelho Filho (PSB-PE), alega respeitar a divisão da bancada sobre o tema. Por
isso, em vez de dois deputados contrários à redução, como estava na composição
original, o partido decidiu colocar um contrário e um favorável: Tadeu Alencar
(PE) e Keiko Ota (SP) - esta última teve o filho assassinado por um maior de
idade.
Veja quem são e como pensam os deputados da comissão:
"O partido tem clara sua posição
contrária, mas tem parlamentares que têm posição diferente. A bancada está
dividida meio a meio", afirma o líder do PSB. "Poderia ser injusto
colocar as duas vagas de um lado só."
Também dividido, o PROS inicialmente participaria da comissão com Jorge
Silva (ES), que atua em defesa da juventude negra. Apesar de a maioria dos
adolescentes infratores internados ser preta ou parda, o capixaba negociou sua
saída com a liderança do partido, e agora ocupa um posto comum na CPI da
Violência contra Jovens Negros e Pobres.
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