O ministro das Comunicações, Ricardo
Berzoini, afirmou há pouco que um eventual marco regulatório para as
comunicações deve assegurar liberdade de expressão e liberdade da atividade
jornalística. Ele participa de audiência pública na Comissão de Ciência e
Tecnologia, Comunicação e Informática. A discussão do marco foi anunciada no
início do governo pela presidente Dilma Rousseff, mas enfrenta resistência da
própria base governista no Congresso e não avançou.
Berzoini salientou que o Brasil já
possui uma regulamentação para o setor, mas ela é antiga, de 1962 (Código
Brasileiro de Telecomunicações - Lei 4.117/62). “É preciso refletir se essa
regulamentação, da maneira como está constituída hoje, é adequada ou não”,
afirmou. “O debate não pode ser superficial ou maniqueísta”, completou. “O
governo da presidenta Dilma, o PT e outros partidos da coalizão do governo têm
compromisso com a liberdade de expressão e com a liberdade da atividade
jornalística”, reiterou.
O ministro respondia a questionamento
do deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB). “Em matéria de mídia, não é melhor o
erro do que a censura?”, perguntou o parlamentar.
TV digital - O ministro também afirmou que “se for necessário, o
cronograma de implantação da TV digital vai ser dilatado”, respondendo a
questionamento do deputado Sandro Alex (PPS-PR). A meta do ministério é
concluir o processo de digitalização da televisão brasileira até 2018. Sandro
Alex também destacou a alta carga tributária do setor de telecomunicações, que
chega a mais de 50% do valor da ligação, encarecendo o serviço.
Rádios comunitárias - Berzoini disse ainda que vai lutar para que cada
município do País tenha pelo menos uma rádio comunitária e para que as rádios
sejam efetivamente comunitárias, “e não propriedades de pessoas que a usam ao
seu bel prazer”.
As afirmações foram dadas em resposta
ao deputado Silas Câmara (PSD-AM), que informou que 26% dos municípios do
Amazonas não têm nenhum tipo de veículo de comunicação, nem mesmo rádios
comunitárias. Ele também chamou a atenção para a falta de oferta de serviço de
telefonia celular no estado. Segundo ele, em grande parte dos municípios,
apenas uma empresa oferece o serviço. O parlamentar também destacou a falta de
manutenção para os orelhões no Estado.“ O povo da Amazônia está completamente
isolado”, avaliou.
Orçamento - Por fim, Berzoini informou que o orçamento do
ministério está muito restrito, mas que ele entende isso como necessário,
diante da conjuntura econômica nacional e internacional. “Mas não pretendemos
usar o orçamento como desculpa. Até porque pretendemos induzir os investimentos
privados. Queremos suprir deficiências com a interação com o setor privado,
para o bem dos serviços públicos.”
O deputado Bilac Pinto (PR-MG)
questionou o ministro sobre as origens do recurso para a ampliação dos serviços
de banda larga no Brasil. Já o deputado José Rocha (PR-BA), que solicitou a
audiência com o ministro, pediu prioridade para o Nordeste no programa de banda
larga nas escolas.
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