Jumento está sendo
consumido no Rio Grande do Norte
Luís Macedo / Câmara dos Deputados
A presidente da Comissão de Meio Ambiente da Subsecional de Mossoró (Rio Grande do Norte) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Vânia Brito Diógenes, denunciou nesta quinta-feira (27) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Maus-Tratos de Animais o abate de jumentos para consumo humano na cidade de Apodi (RN).
Segundo ela, a prática vem sendo
incentivada, desde março de 2014, pelo promotor de Justiça de Apodi, Silvio de
Andrade Brito. Em depoimento à CPI, Vânia disse que o promotor chegou a realizar
almoços "educativos", por mais de uma vez, para incentivar o consumo
da carne de jumento.
Vânia exibiu à CPI um vídeo de um dos
abates, para mostrar que os animais estariam sendo mortos em condições cruéis e
sem qualquer fiscalização da vigilância sanitária. No vídeo, é possível ver um
homem golpeando um jumento na cabeça com uma marreta. É também possível ouvir
vozes de crianças rindo dos comentários sarcásticos feitos por adultos
presentes no local.
Vânia explicou que o Instituto de
Defesa e Inspeção Agropecuária do Rio Grande do Norte chegou a alertar o
promotor para problemas decorrentes do abate feito naquelas condições.
Alto risco - O alerta foi feito, por meio de ofício, pela
ex-diretora de Defesa e Inspeção e Sanidade Mental do instituto, Fabiana Lo Tierzo,
que também foi ouvida nesta quinta-feira pela CPI.
“Não tivemos resposta para o oficio e
fomos impedidos de entrar no local onde os animais seriam abatidos", disse
Fabiana, relatando a importância de se inspecionar doenças típicas de equídeos,
como o tumor preto, que é cancerígeno, e o mormo, zoonose de alto risco para
seres humanos.
Convocado para prestar
esclarecimentos à CPI, o promotor de Justiça de Apodi, Silvio de Andrade Brito,
está em férias e não compareceu. Diante da gravidade das denúncias, o
presidente da CPI, deputado Ricardo Izar (PSD-SP) disse que o promotor será
novamente notificado e intimado a vir à CPI.
Terror - A representante da Subsecional da OAB em Mossoró
destacou a importância do jumento para o desenvolvimento do homem nordestino e
disse que o consumo da carne do animal não tem amparo cultural, comercial e nem
econômico.
“O terror se espalhou na cidade de
tal maneira que as mães deixaram de mandar seus filhos para escola, com medo
que eles comessem carne de jumento", completou Vânia, em referência à
intenção do promotor de inserir a carne de jumento no cardápio de
penitenciárias, podendo levar, posteriormente, o produto para refeições em
escolas e hospitais.
Convocação - Relator da CPI, o deputado Ricardo Trípoli
(PSDB-SP) questionou Vânia Diógenes sobre qual seria a motivação do promotor
para defender o consumo da carne de jumentos.
Segundo ela, o promotor atua por
conta própria, mas suas ações foram defendidas pelo procurador-geral de Justiça
do Rio Grande do Norte, Rinaldo Reis. Vânia disse que levou o assunto ao
conhecimento do procurador-geral de Justiça e, segundo ela, Reis teria dito que
“apoia Brito em qualquer ato que ele tome”.
O presidente da CPI, Ricardo Izar
(PSD-SP), que havia aceitado o pedido de dispensa apresentado por Reis, disse
que, diante dos fatos, fará uma nova convocação para que o procurador-geral do
estado do Rio Grande do Norte também seja intimado pela CPI. (Reportagem – Murilo Souza - Agência Câmara Notícias)
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