Por Agência Brasil
Empresa entregou às autoridades e-mails, agendas e extratos de conta
telefônica identificados em auditorias internas.
O Conselho Administrativo de Defesa
Econômica (Cade) homologou nesta quarta-feira (19) acordo com a
construtora Camargo Corrêa, uma das investigadas na Operação Lava Jato, e dois
de seus ex-executivos.
Pelo acordo, a empresa deverá
contribuir em procedimento que apura a ocorrência de cartel no mercado de obras
e montagem industrial no setor de óleo e gás, em licitações da Petrobras. A
construtora também concordou em fazer contribuição financeira de mais de R$ 104
milhões.
Segundo o Cade, trata-se do maior valor
já estabelecido em um Termo de Compromisso de Cessação (TCC), como é chamado o
acordo firmado hoje com a empresa. O TCC exige que os assinantes cessem seu
envolvimento ilícito, reconheçam participação na conduta investigada e
colaborem de forma efetiva com as investigações.
Diferentemente da leniência, que é um
outro tipo de acordo, ele não permite a extinção completa da punição. Além
disso, obriga ao pagamento de uma contribuição, que é encaminhada ao Fundo de
Defesa dos Direitos Difusos.
De acordo o Cade, os participantes do
TCC “ofertaram contribuições relevantes às investigações, confirmando fatos e
trazendo novas evidências”. A utilidade da colaboração é levada em conta para a
homologação do acordo.
A prática de cartel em licitações da
Petrobras é investigada em inquérito administrativo no Cade, aberto após acordo
de leniência fechado em março com a Setal Engenharia e Construções, a SOG Óleo
e Gás e pessoas físicas do grupo Setal/SOG, em conjunto com o Ministério
Público Federal do Paraná.
“As contribuições trazidas pela leniência
apontaram indícios de cartel em licitações da Petrobras envolvendo diversas
construtoras, entre elas a Setal/SOG e a Camargo Corrêa”, informa comunicado do
Cade. O acordo de leniência é um instrumento disponível apenas para o primeiro
proponente e prevê imunidade total ou parcial na esfera administrativa e também
na penal, por ser firmado em conjunto com o Ministério Público.
A exemplo do que ocorre no TCC, os
beneficiados pelo acordo de leniência também devem cessar seu envolvimento na
conduta ilícita, confessar e cooperar com as investigações, identificando os
demais envolvidos e apresentando provas e informações relevantes. A empresa
também pode ter uma redução de 30% a 50% no valor da multa que seria imposta.
A Camargo Corrêa disse, em nota, que
o acordo com o Cade “é consequência da decisão da administração da empresa de
colaborar com as investigações, além de seguir aprimorando seus programas
internos de controle”.
De acordo com a empresa, foram entregues às autoridades e-mails, agendas
e extratos de conta telefônica identificados em auditorias internas. A
construtora disse, ainda, que “reitera sua disposição para assumir
responsabilidades com a adoção de medidas necessárias para corrigir desvios e
colaborar na construção de um ambiente de negócios éticos”.
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