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O governo já respondeu ao TCU, alegando que as manobras com os gastos
públicos são realizadas há muitos anos e que não as considera ilegais.
O relator no TCU do processo que
analisa as contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff, ministro Augusto
Nardes, deu mais 15 dias de prazo para a presidente explicar novas
irregularidades apontadas,
O relator no TCU (Tribunal de Contas
da União) do processo que analisa as contas de 2014 da presidente Dilma
Rousseff, ministro Augusto Nardes, deu mais 15 dias de prazo para a presidente
explicar novas irregularidades apontadas pelo Ministério Público do Tribunal e
por um dos ministros-substitutos, ministro André Luiz de Carvalho.
Será encaminhado ao governo
solicitação de novos esclarecimentos por irregularidades que não foram
apontadas no primeiro relatório, de junho de 2015, abrindo assim um prazo de defesa
maior para a presidente.
Com isso, a previsão de que o
processo de contas tivesse sua análise no TCU encerrada até o início de
setembro não deverá se concretizar, ajudando o governo, que ganhará mais tempo
para evitar que o parecer do tribunal possa ser usado para um eventual início
de um processo de impeachment contra a presidente na Câmara dos Deputados.
O ministro Nardes esclareceu que fez
os novos pedidos após a área técnica do Tribunal referendar que era necessário
esclarecimento da presidente para as irregularidades apontadas pelo Ministério
Público e que não o fez em junho, quando votou o processo de contas, porque o
pedido chegou fora do prazo.
Nardes afirmou que, mesmo com a
abertura de novo prazo, vai tentar votar "o mais rapidamente
possível" o processo.
A ideia inicial do relator era dar 10
dias de prazo ao governo. Mas um dos ministros, Bruno Dantas, levantou a
hipótese de dar 30 dias para a resposta, o mesmo prazo dado anteriormente.
Outro ministro, Raimundo Carreiro, pediu o prazo que é previsto na lei, que é
de 15 dias. A proposta vencedora acabou sendo a de Carreiro.
O ministro José Múcio disse que é
necessário que o tribunal vote logo as contas. "Precisamos dar uma
resposta para a sociedade", afirmou Múcio.
HISTÓRICO - Em junho, o TCU começou a votação do processo de contas anual da
presidente, mas o relator considerou que -devido a várias irregularidades
constatadas pelo órgão- eram necessários novos esclarecimentos do governo.
A tendência, na época, era que as
contas fossem rejeitadas devido às chamadas "pedaladas fiscais",
manobras do governo para adiar pagamentos sem registrá-los como dívidas e usar
bancos públicos para cobrir o rombo.
O governo já respondeu ao TCU,
alegando que as manobras com os gastos públicos são realizadas há muitos anos e
que não as considera ilegais.
Entre os esclarecimentos que serão
pedidos ao governo no novo documento a ser aprovado nesta quarta estão pontos
que o procurador do TCU Júlio Marcelo de Oliveira questionou antes da votação
das contas e que não foram encaminhados no primeiro pedido do relator Augusto
Nardes, conforme a Folha de S.Paulo mostrou em julho.
A comissão de Fiscalização e Controle
do Senado também pediu ao relator que os pontos apontados pelo procurador
fossem esclarecidos pelo governo.
O procurador aponta que o governo já
sabia que teria que cortar despesas e, mesmo assim, não fez o bloqueio do
orçamento, o que contraria a lei orçamentária.
Segundo Nardes, a análise dos técnicos apontou que essa irregularidade
aconteceu por mais vezes que o procurador apontou, o que torna o caso ainda
mais grave.
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