Os deputados contrários à redução, de
18 para 16 anos, da maioridade penal para jovens condenados por crimes graves
alegaram que a medida é inconstitucional e ineficiente. Hoje, esses jovens
cumprem medida socioeducativa. O texto da proposta (PEC 171/93) foi aprovado em
segundo turno nesta quarta-feira (19).
A líder do PCdoB, deputada Jandira
Feghali (RJ), disse que a proposta é inconstitucional e vai ter impacto na
legislação sobre a carteira de motorista e a lei de drogas. A medida, segundo
ela, não vai surtir o efeito necessário.
“Pelo contrário, em todos os países
que reduziram a maioridade, não houve diminuição da violência”, afirmou.
Para ela, o ideal seria mudar o
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para ampliar o tempo de internação
dos menores de 18 anos, como fez o Senado.
Justiça lenta - A ineficiência também foi argumento do deputado
Aliel Machado (PCdoB-PR). Ele disse que a Justiça é muito mais lenta que o
atual processo de ressocialização previsto no ECA.
“Eu quero dar o exemplo do que
aconteceu no Piauí. Aqueles meninos envolvidos no caso de estupro que comoveu o
País já foram julgados, já estão reclusos; enquanto o adulto que estava
envolvido no crime está solto. Está solto porque a Justiça é muito mais
demorada. O que está se jogando aqui para a sociedade é a venda de uma ilusão”,
lamentou.
Vice-líder do PDT, o deputado
Weverton Rocha (MA), chamou a proposta de retrocesso. “Aprovando esse projeto,
vamos nos curvar para o mundo e dizer que não tivemos a capacidade de incluir e
de educar a juventude brasileira”, disse.
Aliciamento - Já deputado Ricardo Barros (PP-PR), vice-líder do
governo, ponderou que muitos jovens atualmente são aliciados pelo crime
organizado para assumir crimes que não cometeram. “Aprovada essa matéria, o
crime organizado – que hoje alicia os jovens entre 16 e 17 anos – passará a
aliciar o menor de 16, que está muito menos preparado para receber esse
assédio”, analisou.
O deputado Edmilson Rodrigues
(Psol-PA) afirmou que reduzir a maioridade penal é um ato perverso contra os
jovens e adolescentes. “São jovens, crianças, que não tiveram garantia do
direito ao lazer, à educação, a uma família estruturada, porque o desemprego e
a miséria são sinônimos de falta de dignidade”, criticou. (Reportagem – Carol Siqueira - Agência Câmara Notícias)
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