Valéria Bretas
São Paulo - A 18ª fase da Operação Lava
Jato, deflagrada na manhã de hoje, avançou nas investigações para além do
esquema de corrupção da Petrobras. O alvo da vez é o Ministério do
Planejamento.
A Polícia Federal apura desvios de até 52 milhões
de reais em contratos de crédito consignado a servidores federais junto ao
Ministério.
Segundo as investigações, o grupo Consist Software
era responsável por repassar os valores desviados aos operadores da Lava Jato.
Os executivos da empresa também estão sendo investigados, de acordo com a
PF.
Alexandre Romano, ex-vereador do PT em Americana (SP), e o lobista Milton Pascowitch eram responsáveis por arrecadar o dinheiro desviado.
Alexandre Romano, ex-vereador do PT em Americana (SP), e o lobista Milton Pascowitch eram responsáveis por arrecadar o dinheiro desviado.
Segundo a PF, mais de 20% dos valores desviados
foram repassados à empresa Jamp Engenheiros, do operador Milton Pascowitch.
Depois, o dinheiro seguiu João Vaccari Neto, que então ocupava o cargo de
tesoureiro do PT. Vaccari é quem teria coordenado o esquema.
Depois que o contrato de empréstimo era firmado
(por meio de facilitações do Ministério em parceria com a Associação Brasileira
de Bancos), ele era gerenciado pela Consist - que recebia uma taxa por cada
empréstimo concluído.
Cerca de 40% do faturamento das empresas de fachada
era repassado a Romano, preso nesta quinta-feira. "A Pixuleco 2 ainda pode
revelar valores ainda maiores nos desvios cometidos pelo Ministério do
Planejamento", diz o procurador da República, Roberson Pozzobon.
A atividade de Romano consistia em indicar empresas
de fachada que não ofereciam os serviços descritos em nota fiscal - elas
serviam apenas para a lavagem de dinheiro que ocorreu de meados de 2010 até
julho deste ano. Os repasses do grupo Consist para as empresas indicadas por
Romano persistiram até julho de 2015.
Cássia Gomes, viúva do ex-secretário de
Recursos Humanos do Ministério, Duvanier Paiva Ferreira, também é alvo de
investigação da PF. Duvanier, que faleceu em janeiro de 2012, era encarregado
da gestão dos servidores públicos. Ela é suspeita de receber o valor mensal de
30 mil reais por colaborar no esquema de corrupção nos contratos de
crédito.
Intitulada de Pixuleco II, a ação de hoje mobilizou
70 policiais federais para cumprir os mandatos nos estados de Brasília,
Porto Alegre, Curitiba e São Paulo na manhã desta quinta-feira.
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