Refinaria Abreu e Lima
iG Minas Gerais | Folhapress
É o que aponta um relatório do TCU que conseguiu dados da Operação Lava
Jato para realizar as auditorias que apuram se as obras estão com preços acima
do valor gasto pelas empresas construtoras.
A Petrobras pagou em apenas um
contrato das obras da Refinaria Abreu e Lima (PE) pelo menos R$ 673 milhões
além dos custos que as empresas Camargo Corrêa e Cnec tiveram para realizar a
construção. O valor é quase igual ao que as empresas comprovaram de gastos
efetivos com o empreendimento, a UCR (Unidade de Coqueamento Retardado).
É o que aponta um relatório do TCU
(Tribunal de Contas da União) que, pela primeira vez, conseguiu dados da
Operação Lava Jato para realizar as auditorias que apuram se as obras estão com
preços acima do valor gasto pelas empresas construtoras.
O valor foi classificado como
"assombroso" pelos ministros, já que a Petrobras pagou cerca de R$
1,458 bilhão por itens nesse contrato, enquanto a empresa responsável gastou
pouco mais de R$ 785 milhões para realizar o que estava contratado.
A obra já está encerrada.
De acordo com o TCU, o valor pago tem
gastos não comprovados pelas construtoras de 86% em relação ao que a Petrobras
gastou. O tribunal abriu um processo específico para cobrar o dinheiro de
volta. Os responsáveis pelo contrato e as empresas poderão comprovar como
gastaram o dinheiro nesse processo.
A mudança na forma que o TCU está fiscalizado
as obras da Petrobras só foi possível por causa da permissão que o juiz Sergio
Moro concedeu ao tribunal para ter acesso às notas fiscais e contabilidade da
empresa construtora do empreendimento.
Antes, o TCU fazia suas auditorias
baseado em tabela de preços de referência do mercado. Quando os preços que a
Petrobras pagava estavam acima da tabela, o TCU apontava que o valor além era
sobrepreço. Com os dados da contabilidade foi possível pela primeira vez
cotejar o valor que a Petrobras pagou com o custo real das empresas para
realizar a construção.
Por causa disso, o valor pago a mais
cresceu de forma significativa, diz o tribunal.
SOBREPREÇO - Em 2013, quando apontou que havia sobrepreço nesse contrato, o TCU disse
que dos R$ 2,9 bilhões contratados, R$ 446 milhões estavam acima dos custos de
referência do mercado, o que daria um sobrepreço de 13%.
Até agora o TCU conseguiu verificar a
contabilidade e as notas da Camargo de apenas R$ 1,4 bilhão do que a Petrobras
pagou. A outra parte do contrato ainda será analisada. Nos gastos já
analisados, foi possível observar que a empreiteira não teria como comprovar os
gastos de R$ 673 milhões pagos pela Petrobras, o que elevaria o sobrepreço para
86%.
A diferença entre o custo a mais
medido com as notas e com as tabelas de referência é, portanto, quase seis
vezes pela medição com as notas.
Para se ter uma ideia do tamanho do
gasto a mais, o preço de referência de um equipamento era de R$ 24,4 milhões,
mas a empresa só conseguiu comprovar que pagou R$ 4,4 milhões no item.
Já em relação ao pagamento de
trabalhadores terceirizados, a empresa cobrava quase quatro vezes mais que o
preço de referência do contrato.
Além do contrato com a Camargo, o TCU
ainda investiga outros três contratos na construção de Abreu e Lima que somam
quase R$ 7 bilhões. Caso o sobrepreço seja no mesmo nível do que já foi
apurado, os valores extrapolariam os R$ 3 bilhões.
"Os números [do sobrepreço] são
muito maiores que os números já absurdos que causam perplexidade a todos nós e
estão sendo divulgados como desviados da Petrobras", afirmou o relator do
processo, Ministro Benjamin Zymler.
Segundo o relator, os advogados da estatal no TCU, que até hoje vinham
defendendo que não havia sobrepreço nas obras, agora, estão pedindo para o TCU
os dados para que possam iniciar processos de ressarcimento dos recursos
desviados.
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