|
Cajuína gelada.
Brindando com a tradicional bebida do Piauí, conselheiros e as
pessoas presentes à reunião no Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
nesta na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(IPHAN), celebraram o registro como Patrimônio Cultural Brasileiro da
Produção Tradicional e Práticas Socioculturais Associadas à Cajuína no
Piauí. Mais do que uma simples bebida, a tradicional Cajuína simboliza a
hospitalidade e os laços existentes entre as famílias produtoras.
O pedido de registro foi apresentado pela Cooperativa de Produtores
de Cajuína do Piauí (CAJUESPI). O modo de fazer e as práticas
socioculturais associadas à cajuína são bens culturais que surgem junto com
os rituais de hospitalidade das famílias proprietárias de terras no Piauí.
As garrafas de cajuína, atualmente também são vendidas, mas na maior parte
das vezes eram dadas de presente ou servidas às visitas, e ainda oferecidas
em aniversários, casamentos e outras comemorações.
Mesmo sendo uma bebida, ela assume o simbolismo de alimento e poderá
ser inscrita na mesma tradição dos doces, bolos, biscoitos e outros saberes
prendados cultivados para abastecimento do lar no Nordeste. A cajuína alçou
mercados externos ao Piauí, e ao mesmo tempo em que é valorizada como
produto de forte apelo regional e cultural, reforça os sentidos de
pertencimento e identidade dos piauienses e brasileiros.
Uma bebida que revela o sentimento de uma família - O consumo da cajuína é um ato de degustação, geralmente
acompanhado de comentários e comparações sobre as qualidades daquela
garrafa da bebida, ressaltando sua cor, doçura, cristalinidade, leveza ou
densidade, qualidades que derivam tanto do caju escolhido, quanto das
técnicas de cada produtor. Essas referências revelam o sentimento de
pertencimento do grupo ou família produtora e reforçam os laços entre os
membros das redes familiares por onde a cajuína circula.
A cajuína é uma bebida não alcoólica, feita a partir do suco do caju
separado do seu tanino, por meio da adição de um agente precipitador
(originalmente, a resina do cajueiro, durante muitas décadas a cola de
sapateiro e atualmente, a gelatina em pó), coado várias vezes em redes ou
funis de pano, em um processo que recebe o nome de clarificação. O suco
clarificado é então cozido em banho-maria em garrafas de vidro até que seus
açúcares sejam caramelizados, tornando a bebida amarelada, e permitindo que
possa ser armazenada por períodos de até dois anos.
O modo tradicional de produção da cajuína foi desenvolvido ao longo
do tempo e ainda que seja semelhante em todos os núcleos produtores, cada
um desenvolveu pequenas melhorias e aperfeiçoou técnicas específicas que
podem produzir certas diferenças no seu produto final, distinguindo o sabor
da sua bebida dos demais produtores. O controle de cada uma das etapas de
produção reflete na qualidade de cada garrafa da bebida.
O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural - O Conselho que avalia os processos de tombamento e registro é
formado por especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo,
arquitetura e arqueologia. Ao todo, são 23 conselheiros, que representam o
Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB, o Conselho Internacional de
Monumentos e Sítios - Icomos, a Sociedade de Arqueologia Brasileira – SAB,
o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
– Ibama, o Ministério da Educação, o Ministério das Cidades, o Ministério
do Turismo, o Instituto Brasileiro dos Museus – Ibram, a Associação
Brasileira de Antropologia – ABA, e mais 13 representantes da sociedade
civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do IPHAN. (Fonte:
ASCOM IPHAN)
|
|
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Por favor. Não aceitaremos palavras indecorosas nem comentários que atinjam a honra dos demais comentaristas.