Um projeto recém-apresentado pelo senador Marcelo
Crivella (PRB-RJ) cria uma nova alternativa para graduados em Direito que são
proibidos de exercer a profissão de advogado por não cumprirem o requisito de
aprovação no Exame da OAB. De acordo com o PLS 232/2014, esses bachareis poderão atuar como assistentes de advocacia, prestando
auxílio aos advogados, que ficariam responsáveis por sua supervisão, ou ainda
como mediadores.
Ao justificar a proposta, Crivella argumenta que os
bachareis não aprovados no Exame da OAB podem ser encarregados de tarefas como
levantar fatos e provas; fazer contato com clientes; organizar reuniões; e
auxiliar em questões de informática e administração interna.
Segundo o autor, a profissão de assistente de
advocacia inspira-se em atividades semelhantes existentes nos Estados Unidos,
Canadá e Inglaterra. Nos EUA, onde são conhecidos como "paralegals",
esses profissionais somam quase 280 mil.
Pelo projeto, os assistentes de advocacia seriam
inscritos em quadro próprio na OAB, pagando anuidade correspondente a 60% do
valor devido pelos advogados. Eles também poderiam integrar sociedades de
advogados e receber honorários.
Entidades representativas estimam que existam no
Brasil pelo menos 2 milhões de bachareis em Direito sem carteira de advogado, o
que, segundo Crivella, tornou-se um importante problema social. "A maioria
jovens, sem profissão definida, com baixa autoestima e uma velada reprovação
familiar. O problema não é mais pessoal, mas sim social. O trabalho como
assistente pode ser uma alternativa", diz o senador.
O PLS 232/2014, que aguarda apresentação de emendas
antes de ser distribuído a relator, tramita em caráter terminativo na Comissão
de Assuntos Sociais (CAS).
Exame de Ordem - O Exame da
OAB é tema de vários projetos em tramitação no Senado. O PLS
397/2011, do senador Eduardo Amorim (PSC-SE), propõe
validade de três anos para a primeira etapa do exame (prova objetiva), o que
permitiria a candidatos aprovados nessa fase entrar diretamente na segunda
(prova prático-profissional). Atualmente, a OAB prevê o aproveitamento do
resultado na primeira etapa somente no exame subsequente.
O projeto aguarda votação na Comissão de Educação,
Cultura e Esporte (CE), onde tem parecer favorável da relatora, Ana Amélia
(PP-RS).
A proposta mais polêmica, porém, é a simples
extinção do exame, prevista na PEC 1/2010, do ex-senador Geovani Borges. Pela proposta de emenda à Constituição,
o diploma de graduação legalmente reconhecido é suficiente para a atuação
profissional. A PEC foi rejeitada pela Comissão de Constituição, Justiça e
Cidadania (CCJ), em 2011, mas houve interposição de recurso para que fosse
votada em Plenário, o que ainda não ocorreu. (Agência Senado).
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