quarta-feira, 16 de julho de 2014

O legado da Copa da FIFA

 

Ainda estamos varrendo o que nos proporcionaram os visitantes nos estragos feitos durante a Copa do Mundo de Futebol. Isto também faz parte do legado.

Mas, claro, também ficamos com o legado imaterial. A interação que nos proporcionaram os visitantes também entra e fica como saldo. Bom saldo, por sinal, se nos posicionarmos como cidadãos e procurarmos olhar o lado bom de tudo que aconteceu, sem esquecer o que ficou de ruim, e assumir.

O que ficou de bom nos servirá de base para nos prepararmos melhor para os Jogos Olímpicos de 2016 – os visitantes serão em número maior, com matizes e culturas mais amplas, mais fortes e um leque muito mais aberto de interação social.

Paralelamente ao aprendizado, o governo brasileiro vai nos impregnar com responsabilidades de pagamentos da enorme dívida financeira contraída com o acervo físico construído e chamado de legado. A dívida é absurdamente grande, afirmam os especialistas. Alguns chegam até e dizer que ela é impagável, ou que passaremos algumas dezenas de anos para fazer isso, deixando de investir mais forte nas nossas incontáveis carências.

Saltam aos olhos e estão muito destacadas as despesas com algumas arenas construídas. Há quem garanta superfaturamento – como não temos certeza, melhor esquecer.

É visível e questionável, entretanto, independentemente de superfaturamento, a construção das arenas da Amazônia e do Pantanal. Não que nesses estados não se necessite de estádios, mas, pelo fato de que, o futebol que se pratica ali nada nos garante que essas arenas fossem necessárias. E será sempre exagero exigir que haja uma evolução capaz de justificar o investimento. Superfaturado ou não, e esse não é o caso.

As redes sociais foram demasiadamente usadas na divulgação de uma pretensa fala de autoriza do ex-jogador Ronaldo Nazário: “não se faz futebol com hospitais!”.

Ronaldo, se disse mesmo, disse algo que muitos gostariam de ter dito. Infelizmente usou linguagem que não transmitiu o efeito que ele, Ronaldo, quis dar à pretensa declaração. Na frieza de um rápido comentário, diríamos que o “Dentuço” foi infeliz no pronunciamento.

Agora, lembremos o seguinte: o selecionado brasileiro enfrentou o selecionado da Colômbia na sede reconstruída em Fortaleza. Suou para vencer, mas venceu. Nesse jogo o selecionado brasileiro “perdeu” o atacante Neymar para os demais jogos. Neymar foi vítima de uma jogada violenta, que não pretendemos discutir, neste momento, se foi intencional ou não.

Neymar foi retirado de campo e prontamente atendido. Pelo menos os primeiros atendimentos foram feitos e isso pode ter amenizado possíveis problemas na recuperação do jovem atacante brasileiro. E, uma pergunta que não quer calar: e se não tivéssemos hospitais capazes de realizar o primeiro procedimento em Neymar?

Futebol, Ronaldo, se faz também com hospitais. Com bons hospitais, acrescente-se!

Mas, por outro lado, o legado da Copa do Mundo de Futebol pode nos servir para que tenhamos olhares diferentes para a educação. Jogadores alemães, ingleses, italianos, belgas, franceses, costarriquenhos, quase todos falam mais de um idioma. Falam com fluência e isso acabará nos levando ao item educação.

E, todos nós sabemos como anda a nossa educação. Será que jamais teremos visão para entendermos que educação é algo que sobrepõe aos demais itens do desenvolvimento, caminhando paralelo a saúde e a oportunidade de trabalho?

Desfilar por aqui o que se deve fazer para melhor a educação brasileira nos parece algo desnecessário. Médicos afirmam que, um antibiótico por mais eficaz e forte que seja, quando usado continuadamente, acabará por fortalecer ainda mais a bactéria combatida, e um dia não fará mais qualquer efeito.

 

 

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