Ainda estamos varrendo o que nos proporcionaram os
visitantes nos estragos feitos durante a Copa do Mundo de Futebol. Isto também
faz parte do legado.
Mas, claro, também ficamos com o legado imaterial. A
interação que nos proporcionaram os visitantes também entra e fica como saldo.
Bom saldo, por sinal, se nos posicionarmos como cidadãos e procurarmos olhar o
lado bom de tudo que aconteceu, sem esquecer o que ficou de ruim, e assumir.
O que ficou de bom nos servirá de base para nos prepararmos
melhor para os Jogos Olímpicos de 2016 – os visitantes serão em número maior,
com matizes e culturas mais amplas, mais fortes e um leque muito mais aberto de
interação social.
Paralelamente ao aprendizado, o governo brasileiro vai
nos impregnar com responsabilidades de pagamentos da enorme dívida financeira
contraída com o acervo físico construído e chamado de legado. A dívida é
absurdamente grande, afirmam os especialistas. Alguns chegam até e dizer que
ela é impagável, ou que passaremos algumas dezenas de anos para fazer isso,
deixando de investir mais forte nas nossas incontáveis carências.
Saltam aos olhos e estão muito destacadas as despesas
com algumas arenas construídas. Há quem garanta superfaturamento – como não
temos certeza, melhor esquecer.
É visível e questionável, entretanto, independentemente
de superfaturamento, a construção das arenas da Amazônia e do Pantanal. Não que
nesses estados não se necessite de estádios, mas, pelo fato de que, o futebol
que se pratica ali nada nos garante que essas arenas fossem necessárias. E será
sempre exagero exigir que haja uma evolução capaz de justificar o investimento.
Superfaturado ou não, e esse não é o caso.
As redes sociais foram demasiadamente usadas na
divulgação de uma pretensa fala de autoriza do ex-jogador Ronaldo Nazário: “não
se faz futebol com hospitais!”.
Ronaldo, se disse mesmo, disse algo que muitos
gostariam de ter dito. Infelizmente usou linguagem que não transmitiu o efeito
que ele, Ronaldo, quis dar à pretensa declaração. Na frieza de um rápido
comentário, diríamos que o “Dentuço” foi infeliz no pronunciamento.
Agora, lembremos o seguinte: o selecionado brasileiro
enfrentou o selecionado da Colômbia na sede reconstruída em Fortaleza. Suou
para vencer, mas venceu. Nesse jogo o selecionado brasileiro “perdeu” o
atacante Neymar para os demais jogos. Neymar foi vítima de uma jogada violenta,
que não pretendemos discutir, neste momento, se foi intencional ou não.
Neymar foi retirado de campo e prontamente atendido.
Pelo menos os primeiros atendimentos foram feitos e isso pode ter amenizado
possíveis problemas na recuperação do jovem atacante brasileiro. E, uma
pergunta que não quer calar: e se não tivéssemos hospitais capazes de realizar
o primeiro procedimento em Neymar?
Futebol, Ronaldo, se faz também com hospitais. Com bons
hospitais, acrescente-se!
Mas, por outro lado, o legado da Copa do Mundo de
Futebol pode nos servir para que tenhamos olhares diferentes para a educação.
Jogadores alemães, ingleses, italianos, belgas, franceses, costarriquenhos,
quase todos falam mais de um idioma. Falam com fluência e isso acabará nos
levando ao item educação.
E, todos nós sabemos como anda a nossa educação. Será
que jamais teremos visão para entendermos que educação é algo que sobrepõe aos
demais itens do desenvolvimento, caminhando paralelo a saúde e a oportunidade
de trabalho?
Desfilar por aqui o que se deve fazer para melhor a
educação brasileira nos parece algo desnecessário. Médicos afirmam que, um
antibiótico por mais eficaz e forte que seja, quando usado continuadamente,
acabará por fortalecer ainda mais a bactéria combatida, e um dia não fará mais
qualquer efeito.
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