Laycer Tomaz
Projetos do Executivo sobre combate ao terrorismo e
seu financiamento também estão na agenda de votações dos deputados.
Na primeira semana de agosto, o
segundo turno das propostas de emenda à Constituição (PEC) da maioridade penal
e da reforma política são os destaques do Plenário da Câmara dos Deputados, cuja
pauta também traz o projeto de lei de correção do FGTS pela poupança e quatro
prestações de contas da Presidência da República. As sessões ordinárias têm a pauta trancada
por dois projetos do Executivo sobre combate ao terrorismo e seu financiamento.
Aprovada em primeiro turno no início
de julho, com 323 votos favoráveis e 155 contrários, a PEC 171/93 reduz a
maioridade penal de 18 para 16 anos nos casos de crimes hediondos – como
estupro e latrocínio – e também para homicídio doloso e lesão corporal seguida
de morte.
Esse texto é mais brando que o
rejeitado um dia antes por não ter atingido número suficiente de votos. A
matéria, uma emenda apresentada pelos deputados Rogério Rosso (PSD-DF) e Andre
Moura (PSC-SE), excluiu da proposta inicialmente rejeitada os crimes de tráfico
de drogas, tortura, terrorismo, lesão corporal grave e roubo qualificado.
Pela emenda aprovada, os jovens de 16
e 17 anos deverão cumprir a pena em estabelecimento separado dos adolescentes
que cumprem medidas socioeducativas e dos maiores de 18 anos.
A aprovação provocou polêmica em
primeiro turno devido à votação de um texto que continha partes do
anteriormente rejeitado.
Reforma política - A votação em segundo turno da PEC da reforma
política (PEC 182/07) já começou em julho e o Plenário decidiu manter o mandato
de quatro anos para presidente da República, governadores, prefeitos,
vereadores e deputados, assim como o de oito anos para senadores.
Em primeiro turno tinha sido aprovado
o mandato de cinco anos para todos os cargos com transições nos primeiros
pleitos.
Também foi excluída do texto a
mudança da data de posse de governadores e de presidente, que seria nos dias 4
e 5 de janeiro, respectivamente. A posse desses cargos continuará a ser em 1º
de janeiro.
As votações de agosto devem começar
com a polêmica regimental sobre a aceitação ou não de destaques do PT e do PPS
que pretendem retirar a permissão para empresas doarem recursos a partidos.
O presidente da Câmara dos Deputados,
Eduardo Cunha, decidirá questão de ordem do líder do PMDB, deputado Leonardo
Picciani (RJ). Ele considera que a tentativa de mudar o texto no segundo turno
não pode ser aceita porque, se aprovada, vai deixar a PEC com um texto
rejeitado em primeiro turno – o financiamento eleitoral apenas por pessoas físicas.
A primeira versão desse tópico,
rejeitada em Plenário, previa doações de empresas e de pessoas físicas tanto a
partidos quanto a candidatos. A versão aprovada permite doações de pessoas
físicas a candidatos e a partidos, e de empresas, somente a partidos.
Terrorismo - Embora as propostas de emenda à Constituição possam
ser votadas em sessões extraordinárias, a pauta das sessões ordinárias está
trancada por dois projetos de lei do Executivo com urgência constitucional.
Eles disciplinam o combate ao terrorismo.
O Projeto de Lei 2016/15 tipifica o crime de terrorismo e prevê pena de 8 a 12
anos e multa em regime fechado, sem prejuízo das penas relativas a outras
infrações decorrentes disso.
O projeto classifica como
organizações terroristas aquelas movidas por razões de ideologia, política,
xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou gênero
e que tenham por finalidade provocar o terror, expondo a perigo a pessoa, o
patrimônio, a incolumidade pública ou a paz pública, ou coagindo autoridades a
fazer ou deixar de fazer algo.
Igual pena será aplicada a quem
recrutar ou treinar e financiar essas organizações e seus atos.
Já o PL 2020/15 cria um tipo de ação,
na Justiça brasileira, para bloqueio de bens, direitos e valores de pessoas ou
empresas objeto de resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU).
Esses bloqueios são normalmente utilizados para combater a lavagem de dinheiro
e o financiamento do terrorismo.
Atualmente, as resoluções do conselho
são cumpridas por meio de ação ordinária, que segue o rito estabelecido no
Código de Processo Civil, sem nenhuma especificidade. O governo argumenta que
esse sistema gera atrasos no cumprimento das resoluções internacionais,
prejudicando as investigações de crimes graves e colocando o Brasil sob pressão
internacional.
FGTS - Se a pauta for liberada com a votação dos projetos
do Executivo, o Plenário poderá votar, entre outros, o projeto de lei que
concede uma correção maior dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço (FGTS).
O projeto de Lei 1358/15, de autoria
dos deputados Paulo Pereira da Silva (SD-SP), Leonardo Picciani (PMDB-RJ) e
Mendonça Filho (DEM-PE), remunera o fundo, a partir de 1º de janeiro de 2016,
com as mesmas taxas da caderneta de poupança.
A medida tramita apensada ao PL
4566/08, da Comissão de Legislação Participativa, que prevê a aplicação do IPCA
para corrigir os depósitos do fundo, mais os 3% anuais já incidentes.
Além disso, esse projeto da comissão
destina ao fundo um percentual fixo da rentabilidade média das aplicações com
seus recursos, da ordem de 70%, assim como 50% das multas, da correção
monetária e dos juros por atraso no pagamento. Uma parte desses recursos deverá
ser creditada na conta vinculada do trabalhador.
Contas - Estão ainda em pauta quatro projetos de decreto
legislativo (PDCs) referentes a contas de ex-presidentes da República. As quatro propostas são de autoria da Comissão
Mista de Orçamento (CMO), a quem cabe analisar o relatório anual do Tribunal de
Contas da União (TCU) sobre os demonstrativos da execução orçamentária do
governo federal.
Todos os projetos são pela aprovação
das contas dos ex-presidentes Itamar Franco (1992), Fernando Henrique Cardoso
(2002) e Luiz Inácio Lula da Silva (2006 e 2008).
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Por favor. Não aceitaremos palavras indecorosas nem comentários que atinjam a honra dos demais comentaristas.