by Daiane
Souza
Tratar de amor nos gêneros musicais é, geralmente,
algo muito sério. Para o cantor e compositor Lupicínio Rodrigues foi tão
importante que resgatou em seus repertórios as consequências que esse
sentimento pode causar quando não correspondido. Tal dedicação o tornou
conhecido como “o inventor da dor de cotovelo”. Suas músicas ainda hoje fazem
parte dos mais melancólicos cancioneiros do país. É considerado um dos
precursores da Bossa-Nova.
Nascido em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em
16 de setembro de 1914, Lupi, como era conhecido, demonstrou seu interesse pela
música ainda criança. Foi matriculado cedo na escola, mas perdia os conteúdos
porque se distraía cantando na sala de aula. Ao longo da vida compôs desde
marchinhas de carnaval à hinos de times de futebol. Porém, seu principal estilo
era o samba-canção, caracterizado por letras repletas de sentimento e
melancolia.
Dor de cotovelo - Muitas músicas de Lupi foram
dedicadas à Inah, seu grande amor, que rompeu o noivado por não suportar a vida
boêmia do cantor. Constantemente abandonado pelas mulheres, encontrou na
própria história a inspiração para canções onde a traição e o amor estavam
sempre juntos. Criou o termo dor-de-cotovelo, referindo à prática de
quem se apoia em uma mesa de bar, se entregando à bebida e às lágrimas pela
perda da pessoa amada. Foi proprietário de bares, churrascarias e restaurantes
com música, que mantinha apenas para ter como pontos de encontro com os amigos.
Nervos de Aço, Cadeira Vazia e Se Acaso Você
Chegasse são exemplos de experiências amorosas musicadas, nas quais Lupi
sublinhava cada dor, desde a perda ao conformismo. Deixou praticamente uma
centena e meia de canções editadas, além de praticamente 500 composições que
foram perdidas, esquecidas ou que estão à espera de quem possa resgatá-las.
Como legado deixou ainda, crônicas que escrevia semanalmente sobre suas músicas
para o jornal Última Hora, na década de 1960, quando sua produção
diminuiu e ele entrou, como vários compositores da MPB, num período de
obscuridade.
Confissões – Lupicínio Rodrigues Filho, resgata este período da
vida do pai no livro Foi Assim, de 1995. Lupinho, como é também
conhecido, contou para um programa de TV que a obra apresenta uma faceta quase
desconhecida do imortal compositor. “Para ele, as músicas eram confissões de
tudo que acontecia em sua vida e ao redor. As letras sempre referem o local
exato, a pessoa que amou, aquele que sofreu, aquele que perdeu, um momento
qualquer”, explicou. “Tudo passa pela confissão dos homens, e ele soube
eternizar esses momentos significativos os tratando como confissões”.
Para compor Lupi não usava instrumento, desconhecia
teoria musical. Criava de maneira peculiar, com assovios ou batucando o ritmo
das canções em caixinhas de fósforos. Teve muitos intérpretes, entre os quais
se destacaram Elza Soares, Zizi Possi, Maria Bethânia, Arnaldo Antunes e
Adriana Calcanhoto. Faleceu em 1974 e seu corpo está sepultado no Cemitério São
Miguel e Almas, em Porto Alegre. De tempos em tempos, é cantado, gravado ou
homenageado e para o seu centenário de nascimento muitas homenagens estão
programadas pelo país. (Fundação Palmares).
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Por favor. Não aceitaremos palavras indecorosas nem comentários que atinjam a honra dos demais comentaristas.