Reportagem - Tiago
Miranda
Cinco projetos de lei em diferentes
áreas como saúde, educação, inclusão social e mobilidade urbana foram aprovados
nesta sexta-feira (26) pelo plenário do Parlamento Jovem Brasileiro. A sessão
marcou o encerramento da 11ª edição do programa, que reuniu ao longo da semana
78 estudantes, entre 16 e 22 anos, de escolas públicas e privadas de todo o
País. Eles puderam vivenciar, na prática, as tarefas cotidianas de deputados em
Brasília, como a discussão de propostas nas comissões e a votação em plenário.
Com a Mesa Diretora eleita, os jovens
tiveram a semana toda para debater os projetos de lei em comissões temáticas.
Hoje todos se reuniram para a análise final dos textos. “O trabalho não termina
aqui, ele só começa”, resumiu o presidente do Parlamento Jovem, Pedro Gama, ao
final do último dia de votações.
Os projetos aprovados pelo programa
poderão passar a tramitar de verdade na Câmara caso sejam encampados por algum
deputado ou pela Comissão de Legislação Participativa.
A proposta do jovem deputado Alex
Leite Pereira, que determina a criação de centros de recuperação de moradores
de rua e apoio educacional para eles se inserirem no mercado de trabalho, gerou
debate entre os participantes. Alguns parlamentares comentaram que o projeto
não era a melhor opção para dar dignidade aos moradores de rua. Outros chegaram
a dizer que a proposta beneficiaria toda a sociedade, pois diminuiria a
violência nas cidades causadas, em grande parte, por moradores de rua. “Como
pode um País que quer ser líder em desenvolvimento sustentável, não cuidar de
sua própria população?”, questionou o autor.
Ciência e educação - A proposta da deputada jovem Manuella Valença, de
Pernambuco, cria o Programa de Desenvolvimento Científico Jovem (PDCJ) para
garantir projetos extracurriculares de incentivo ao pensamento científico e à
tecnologia nas escolas públicas brasileiras de segundo grau. O texto altera a
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB - Lei 9.394/96). “Já participei de projetos de iniciação
científica e sei do impacto deles para os estudantes”, defendeu a autora, que
também foi vice-presidente desta edição do Parlamento Jovem. O relator,
deputado jovem Mikael de Oliveira Neres, afirmou que a proposta é muito
importante na atual situação do ensino brasileiro.
Repetido - Outro texto aprovado, da deputada jovem Isabela de
Sousa Pereira, acrescenta dados no cartão do Sistema Único de Saúde (SUS) como
tipo sanguíneo, uso de remédios controlados e alergias. De acordo com a autora,
a proposta pretende sanar a situação alarmante que é a falta de informação
entre médico e paciente. Houve reclamação de parlamentares jovens pelo texto
ser semelhante a outro (PL 5875/13), já em tramitação na Câmara.
Tributos e biodiesel - Também foram aprovados outros dois projetos. O
primeiro, do jovem deputado Bruno Rafael Nogueira, propõe uma redução
tributária temporária para o microempreendedor individual (MEI) e a
microempresa que superarem os limites de receita bruta estabelecida no Estatuto
da Micro e Pequena Empresa (Lei Complementar 123/06). Como a proposta precisava ser aprovada por maioria absoluta,
foi feita uma votação nominal.
O segundo, do deputado jovem Wagner
Philipe, garante a utilização de biodiesel em 40% da frota de ônibus de
transporte público urbano. O projeto foi muito discutido pelo impacto ambiental
dos resíduos do biodiesel, como o vinhoto, e o possível benefício a grandes
usineiros em detrimento de pequenos produtores rurais.
Neste ano, o programa bateu recorde
de inscritos, com mais de 2.000 projetos de lei encaminhados por estudantes de
todo o Brasil. A primeira edição do programa ocorreu em 2004. No total, mais de
700 jovens já participaram da experiência.
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