Por Wilson Lima - iG Brasília
André Escócio de Caldas, conhecido como “quilômetro 30”, disse que
recebeu R$ 20 para manter a versão falsa.
Durante depoimento prestado na tarde de quinta-feira na sede da Polícia
Federal (PF) de São Luís, o detento do Complexo Penitenciário de Pedrinhas,
André Escócio de Caldas, confirmou que recebeu proposta de vantagem financeira
por dois dirigentes da prisão para fazer e recebeu R$ 20 para confirmar falsas
acusações contra o candidato ao governo do Estado, Flávio Dino (PCdoB). Dino é
adversário de Lobão Filho (PMDB) na disputa pelo Governo do Estado. Lobão é
apoiado pela governadora Roseana Sarney (PMDB).
Durante essa semana, blogs aliados à
família Sarney divulgaram um vídeo em que o presidiário André Escócio de
Caldas, tido como responsável por um assalto à Universidade Estadual do
Maranhão (Uema), em fevereiro deste ano, acusa Dino de ser líder de uma
quadrilha no Estado. Nesse vídeo, Caldas diz em um suposto depoimento à Polícia
que o ex-presidente da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur) é líder de uma
quadrilha especializada em assaltos e roubos em todo o Estado.
O iG teve acesso ao depoimento de Caldas à PF. Ele explicou à Polícia
Federal que gravou três vídeos com as falsas acusações, todos na presença do
diretor da Central de Custódia de Presos de Justiça (CCPJ) de Pedrinhas, Carlos
Eduardo Sousa Aguiar e o do diretor administrativo da CCPJ, Nilson Araújo.
Os dois, segundo Caldas, tiraram o detento da cela para prestar
informações sobre o assalto à Uema. Durante o depoimento sobre os assaltos,
prestado aos diretores da prisão Nilson Araújo e Carlos Aguiar, em uma sala da
Central de Custódia de Pedrinhas (CCPJ), o preso disse que foi orientado por
Aguiar e Araújo a dizer que Dino faria parte de uma quadrilha responsável por
assaltos e até por atos de tráfico de drogas.
Depois da divulgação do vídeo pela imprensa durante essa semana, Caldas
declarou, em depoimento à PF, que passou a sofrer represálias de outros presos
e que resolveu não incriminar mais Dino pois estava “lidando com gente grande”
e “não queria puxar mais cadeia por uma coisa que era mentira”. Apesar disso,
ele afirmou que recebeu R$ 20, cigarros e comida de Aguiar e Araújo para manter
a versão fraudulenta do seu depoimento.
Esse depoimento à PF faz parte de uma
investigação iniciada ontem para apurar em quais circunstâncias Caldas teria
recebido as propostas de vantagem financeira e de regalias para incriminar o
adversário de Lobão Filho.
Trechos do depoimento do detento com
as falsas contra Dino foram explorados pela propaganda de Lobão Filho no seu
programa de televisão no rádio. O vídeo também foi divulgado pelo portal de
notícias local de responsabilidade da TV Difusora, de propriedade de Lobão
Filho.
Na tarde desta quinta-feira (25), a Secretaria de Estado de Justiça e Administração
Penitenciária do Maranhão (Sejap) decidiu afastar, por tempo indeterminado os
servidores apontados por Caldas como autores do plano.
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