Ministro
do STF Gilmar Mendes.
Por Agência Brasil
“Um tribunal que se propõe a criar jurisprudência a partir de capa de
processo não se qualifica", declarou magistrado do STF
O vice-presidente do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, criticou nesta quarta-feira (24) a decisão da
Corte que manteve indeferida a candidatura de Paulo Maluf (PP) para deputado
federal com base na Lei da Ficha Limpa, que impede o registro de candidatos
condenados pela segunda instância da Justiça. Segundo o ministro, falta preparo
do tribunal para enfrentar pressões.
Ao criticar a decisão, o ministro também sugeriu a mudança na composição
do TSE, formado por dois ministros oriundos da advocacia, dois do Superior
Tribunal de Justiça (STJ) e três do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Um tribunal que se propõe a criar
jurisprudência a partir de capa de processo não se qualifica. Na verdade, nós
estamos diante de uma lei ruim, mal feita. Nós precisamos melhorar muito,
porque corremos o risco de uma desmoralização. Talvez a gente esteja em um
momento até de discutir a própria composição da Justiça Eleitoral. Muitas
dessas debilidades têm a ver com a forma de composição da Justiça Eleitoral, do
envolvimento com questões de interesse e talvez da sua falta de preparo para
enfrentar pressão”, disse.
Na sessão da última terça-feira (24),
por 4 votos a 3, a maioria dos ministros entendeu que houve dolo na condenação
por improbidade administrativa. Em seu voto, Mendes entendeu que o acórdão da
decisão que condenou Maluf deixou claro que a condenação foi culposa, sem
intenção de praticar o crime. Dessa forma, ele não poderia ter sido barrado nas
eleições, mesmo com a condenação.
Maluf ainda pode recorrer da decisão e pode continuar a campanha nas
ruas, no rádio e na televisão até decisão final.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Por favor. Não aceitaremos palavras indecorosas nem comentários que atinjam a honra dos demais comentaristas.