domingo, 21 de setembro de 2014

Saudade!.....




                                                                                                                        

   

Tem horas que a saudade me faz sangrar. É um sangue incolor, esfumaçado, doído, como se extraído a fórceps. Dói demais!

É uma saudade danada! Saudade de ti, de nós, de mim!

Saudade do que fui querendo ser. Saudade do que eu poderia ter sido, e não fui!

Saudade até de quando eu for!

Dói!

Saudade do vento, do amanhecer e até do sol quente que me fazia suar e do suor que me fazia chorar, sentindo saudade de ti.

Dói muito!

Saudade daquela noite em que quase nos entregamos e das lágrimas que chorei por te perder!

Saudade do teu sorriso na manhã seguinte.

Saudade do ontem. Do hoje e do amanhã que um dia será hoje e depois será ontem.

Saudade do menino que fui e do velho que serei. Saudade de mim, de ti, de nós!

Dói e corta fundo!

Saudade das nuvens que eram minhas. E até daquelas que eu não tinha!

Saudade dos caminhos, das trilhas, das veredas  e das estradas por onde andei.

Saudade da minha infância. Da bila, do pião, da cachuleta, da arraia, do corrupio,  e das estórias construídas e contadas em castelos de ventos e de areia.

Saudade das arapucas armadas e dos sabiás pegos. Saudade dos sabiás comidos e até dos que conseguiram fugir. Parabéns sabiás! Tomara não sintam saudades de mim.

 

Saudade

(Pablo Neruda)                   

 

Saudade é amar

Um passado

Que ainda

Não passou.

É recusar

Um presente

Que nos machuca,

É não ver

O futuro

Que nos convida.             

 

Saudade do futuro. Saudade de tudo e até do que eu nunca vi.

Saudade da paz que eu quero ter e da que eu nunca tive.    

 

Saudade grande. Dói!

Mas a maior saudade é de ti. De mim. De nós!

 

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