Reportagem – Sílvia Mugnatto
A taxa de renovação da Câmara dos
Deputados nestas eleições pode atingir algo entre 52% e 53%, o que seria um
recorde histórico. A taxa dos últimos anos tem ficado em torno de 40%. Os
cálculos são do Departamento Intersindical de Assessoramento Parlamentar (Diap),
que soma a taxa de 23% dos que vão concorrer a outros cargos a um total de 30%
que não devem se reeleger.
Os cientistas políticos falam em
desencanto com a política no Legislativo, busca temporária por outras
estratégias políticas e aumento dos custos de campanha. Dados do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) mostram que a média de gastos informada pelos
candidatos a deputado federal é de R$ 3,6 milhões.
O analista político do Diap Marcos
Verlaine lembra o efeito das manifestações de junho de 2013 sobre a classe
política. “Em função dessas manifestações, por conta de uma cobertura
frequentemente negativa do Congresso Nacional, foi criado esse caldo de
cultura. E a grande imprensa também tem turbinado isso”, avalia.
Ele destaca ainda que quem conhece
minimamente o Congresso Nacional sabe que as comissões permanentes votam,
discutem muitas coisas importantes para o País e para a população. “Mas essa
cobertura não é feita de mostrar que efetivamente o Congresso trabalha, os
deputados trabalham”, afirma.
O deputado Sandro Mabel (PMDB-GO),
que desistiu de tentar o sétimo mandato de deputado federal, é um dos que se
queixam do tratamento que a imprensa dá aos parlamentares.
“Minha missão, eu dou ela por
cumprida. Eu acho que a Câmara Federal piorou demais a importância do deputado,
a Câmara deixou e foi engolida pela mídia, que tem mostrado só coisas ruins;
sendo que aqui se trabalha e se faz muitas coisas boas. Infelizmente, nós não
temos conseguido mostrar essas coisas boas. Então você ser deputado federal não
é uma grande vantagem hoje em dia.”
Já o deputado Chico Alencar (Psol-RJ)
afirma que tem aprendido muito sobre a diversidade da sociedade brasileira na
Câmara. Ele aponta, porém, outras dificuldades.
“É claro que há momentos em que você
pensa em desistir, acha que não vai dar, que o poder da corrupção, do
fisiologismo, do clientelismo, da pequena política mesquinha é mais forte que a
grande política, que os ideias, que as causas, que as doutrinas boas. Mas esse
é um embate permanente e a gente não pode desistir”, pondera.
Estratégia política - A cientista política Vera Lúcia Matos acredita que
a opção de alguns deputados por desistir da Câmara pode ser temporária e ligada
a outras estratégias políticas. “Nós temos deputados federais que, pelo ponto
de amadurecimento das suas carreiras, estão buscando uma vaga no Senado
Federal. Isso não contrapõe o entendimento do interesse em uma carreira
parlamentar continuada”, diz.
Para ela, há uma interação com os
estados também que fica clara pelo interesse dos parlamentares em tentar um
cargo de evidência. “São 21 candidatos a vice-governadores e 10 candidatos a
governo do estado”, conclui
Segundo Marcos Verlaine, do Diap, São
Paulo e Minas Gerais têm taxas maiores de reeleição na Câmara, e PT e PMDB
devem ser os partidos que mais vão gastar nas campanhas.
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