domingo, 21 de setembro de 2014

Os sonhos de uma dançarina do outro lado do mundo





 

No início de setembro, como muitos adolescentes nos EUA, Máire New voltou às aulas, reencontrou amigos de quem sentiu saudade no verão, reviu professores já conhecidos e recomeçou a fazer a lição de casa à noite.

Só que para ela a escola não tem nada de normal: suas aulas começam cedinho e só terminam na hora do jantar. Enquanto faz o dever, é bem provável que esteja também fazendo sequências de Pilates – e muitos de seus amigos, que são da Rússia, Europa e Ásia, não falam inglês. Máire é aluna do curso integral da Academia de Balé Bolshoi, em Moscou, e entre os poucos norte-americanos da escola, é a primeira do Alasca.

"Estou do outro lado mundo, literalmente. Pena que não tem voo direto", lamenta a garota de 17 anos, por telefone, de sua casa em Juneau.

O caminho que a levou até o Bolshoi, porém, foi menos complicado: ela cresceu com os passos da dança escocesa tradicional das Terras Altas e começou no balé tarde, aos doze anos, por sugestão da professora. "Sua concentração e sua facilidade para pegar os passos me espantaram; nunca vi tamanha maturidade numa menina de doze anos", conta Janice Hurley, que a ensinava na academia perto de casa. Máire progrediu rapidamente e, em 2011, fez o intensivo de verão da Joffrey Ballet.

Naquele ano, Irina Kuznetsova, dançarina do Balé Mariinsky, estava em Juneau para lecionar durante uma semana. "Ela adorou a disciplina rígida dos russos. Bom, é superdetalhista e busca a mesma qualidade meticulosa que eles. Ter esse tipo de contato lhe abriu os olhos para o estilo – e a possibilidade", relembra a mãe, Diana Rossmiller. A jovem também fez sua própria pesquisa, assistindo a vídeos das russas Natalia Osipova, Svetlana Zakharova e Ekaterina Maximova no YouTube. E ficou extasiada. "Basta observar. É pura emoção, paixão. Elas dançam com a alma. Vivem o balé, de verdade. Cada movimento tem uma razão de ser. Espero poder um dia fazer o mesmo".

 

 

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