No início de setembro, como muitos
adolescentes nos EUA, Máire New voltou às aulas, reencontrou amigos de quem
sentiu saudade no verão, reviu professores já conhecidos e recomeçou a fazer a
lição de casa à noite.
Só que para ela a escola não
tem nada de normal: suas aulas começam cedinho e só terminam na hora do jantar.
Enquanto faz o dever, é bem provável que esteja também fazendo sequências de
Pilates – e muitos de seus amigos, que são da Rússia, Europa e Ásia, não falam
inglês. Máire é aluna do curso integral da Academia de Balé Bolshoi, em Moscou,
e entre os poucos norte-americanos da escola, é a primeira do Alasca.
"Estou do outro lado
mundo, literalmente. Pena que não tem voo direto", lamenta a garota de 17
anos, por telefone, de sua casa em Juneau.
O caminho que a levou até o
Bolshoi, porém, foi menos complicado: ela cresceu com os passos da dança
escocesa tradicional das Terras Altas e começou no balé tarde, aos doze anos,
por sugestão da professora. "Sua concentração e sua facilidade para pegar
os passos me espantaram; nunca vi tamanha maturidade numa menina de doze
anos", conta Janice Hurley, que a ensinava na academia perto de casa.
Máire progrediu rapidamente e, em 2011, fez o intensivo de verão da Joffrey
Ballet.
Naquele ano, Irina Kuznetsova,
dançarina do Balé Mariinsky, estava em Juneau para lecionar durante uma semana.
"Ela adorou a disciplina rígida dos russos. Bom, é superdetalhista e busca
a mesma qualidade meticulosa que eles. Ter esse tipo de contato lhe abriu os
olhos para o estilo – e a possibilidade", relembra a mãe, Diana
Rossmiller. A jovem também fez sua própria pesquisa, assistindo a vídeos das
russas Natalia Osipova, Svetlana Zakharova e Ekaterina Maximova no YouTube. E
ficou extasiada. "Basta observar. É pura emoção, paixão. Elas dançam com a
alma. Vivem o balé, de verdade. Cada movimento tem uma razão de ser. Espero
poder um dia fazer o mesmo".
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Por favor. Não aceitaremos palavras indecorosas nem comentários que atinjam a honra dos demais comentaristas.