Por Wilson Lima - iG Brasília
Denúncias contra adversário de Sarney partiram da Polícia Civil e foram
informadas à Justiça Eleitoral maranhense
A Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) defendeu, na manhã
desta sexta-feira, a atuação do delegado Paulo de Tarso Cruz Viana Júnior,
responsável pela abordagem ao candidato ao governo do Maranhão, Lobão Filho
(PMDB) na noite de quarta-feira para averiguar denúncias de crime eleitoral no
Estado. A ADPF classificou a revista do avião de Lobão Filho como “procedimento
de rotina” e o iG apurou que a denúncia que originou a ação da PF partiu da
Polícia Civil do Maranhão e não de denúncia anônima, como alegou o PMDB.
Nesta quinta-feira (26), o presidente
nacional do PMDB e vice-presidente da república, Michel Temer (PMDB) e o
presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), divulgaram notas oficiais
condenando a ação da PF. Segundo o PMDB, seis homens identificados como
policiais federais abordaram Lobão Filho e o ex-ministro do Turismo, Gastão
Vieira (PMDB), candidato ao senado no Maranhão, no aeroporto de Imperatriz. Os
policiais revistaram Lobão e Vieira e a aeronave na qual eles embarcariam em
busca de dinheiro. Nada foi encontrado. Tanto Temer, quanto Calheiros
classificaram a ação como “inadmissível” e “intimidatória”.
“O procedimento foi baseado em denúncia anônima durante o curso da
disputa eleitoral intensa”, disse Temer. “Ações desencadeadas com base em
denúncias anônimas, em pleno processo eleitoral, só se prestam a explorações
políticas”, reiterou Calheiros. Nesta sexta-feira, o ministro da Justiça, José
Eduardo Cardozo, determinou que o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro
Daiello Coimbra, investigue a abordagem do órgão.
O presidente
da Associação dos Delegados da Polícia Federal, Marcos Leôncio Ribeiro, afirmou
ao iG, no entanto, que “havia fundada suspeita que foi por
dever legal apurada ou não a veracidade dessa informação”. “Em ato contínuo, (o
procedimento de abordagem) foi informado à Justiça Eleitoral e aos superiores
da Polícia Federal. Algo absolutamente dentro da rotina policial. Isso não é um
procedimento isolado”, confirmou Marcos Leôncio Ribeiro. “A Polícia Federal não
intimida e nem se deixa intimidar”, complementou.
Ribeiro explicou que no caso
específico não havia a necessidade de um mandado de busca e apreensão já que a
PF tem legitimidade de fazer varreduras em aeronaves estacionadas em aeroportos
que contam com a segurança de agentes da corporação. “Neste caso, o que temos é
o exercício regular e legítimo da função de Polícia Judiciária Eleitoral pela
Polícia Federal. Entendemos o lado dos partidos políticos, e cada um dos
partidos políticos envolvidos nas eleições precisam compreender o papel da
Polícia Federal”, disse o presidente da ADPF.
Ribeiro vai além e disse que se o
delegado não fizesse a abordagem ao avião poderia cometer o crime de
prevaricação, crime cometido por funcionário público que consiste em retardar
ou deixar de fazer uma função que é de sua competência. No início da tarde
desta sexta-feira, da ADPF lançou uma nota em defesa do delegado responsável
pela operação contra Lobão Filho.
Denúncia da Polícia - O iG
apurou que, ao contrário do que alegou o PMDB, a denúncia que resultou na
abordagem a Lobão Filho não foi anônima e sim partiu da Polícia Civil do
Maranhão. Além disso, o delegado responsável pela ação informou ao superintendente
da Polícia Federal no Estado, Alexandre Saraiva e a Justiça Federal maranhense.
O delegado Paulo de Tarso Cruz Viana Júnior explicou, internamente, que
poderia cometer crime de prevaricação caso não averiguasse a denúncia de um
órgão como a Polícia Civil do Maranhão. Como se tratava de uma denúncia de um órgão
oficial e não de terceiros, com a possibilidade de realização de um flagrante
de crime eleitoral, não havia a necessidade de um mandado de busca e apreensão,
segundo explicou o delegado a colegas. O delegado Paulo Júnior citou o chamado
“senso de oportunidade” típico de situações propícias para flagrantes de crimes
eleitorais. A denúncia contra Lobão Filho surgiu a menos de três horas da
realização da abordagem, na noite de quarta-feira.
Além disso, o iG também apurou
que a abordagem ocorreu sem truculência ou veemência. Na noite do dia 24 de
setembro, o delegado, com sua equipe, fez antes a revista na aeronave de Lobão
Filho. Durante a revista da aeronave, Lobão Filho estava na ante-sala do
aeroporto de Imperatriz. E somente no aeroporto, na presença de Lobão Filho,
foi feita a revista das bagagens dele e de Gastão Vieira. O delegado negou
truculência ou tentativa de intimidação durante a revista.
Nesta quinta-feira, o PMDB no
Maranhão acusou que a ação teria partido ou do pai do delegado, Paulo Cruz
Viana, ex-prefeito da cidade de Sítio Novo do Maranhão ou do próprio ministério
da Justiça, na figura do secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão. Abrão
declarou apoio à candidatura de Dino durante essa semana. Lobão defendeu até o
afastamento de Abrão do cargo.
O delegado Paulo Cruz Viana, no entanto, reiterou a colegas delegados
que sequer manteve contato com o pai ou com Abrão na noite de quarta-feira,
quando desencadeou a operação.
Nota oficial da Associação dos
Delegados da Polícia Federal – ADPF
A Associação Nacional dos Delegados
de Polícia Federal (ADPF) vem a público manifestar apoio ao Delegado de Polícia
Federal, PAULO DE TARSO CRUZ VIANA JÚNIOR, diante de sua atuação na abordagem
de um avião, ocorrida no aeroporto de Imperatriz/MA, na noite do dia 24 para a
madrugada do dia 25 de setembro de 2014.
Para a ADPF, a repercussão dada ao
episódio é própria e comum ao período eleitoral e em nada compromete a atuação
eficiente e isenta do Delegado de Polícia Federal.
É natural que alguns partidos façam
uso político de fatos que nada mais são do que o regular trabalho de Polícia
Judiciária Eleitoral atribuído legalmente à Polícia Federal.
A ADPF faz questão de deixar claro
que no exercício de suas atribuições constitucionais a Polícia Federal,
enquanto órgão de Estado, não persegue, não intimida, mas também não se deixa
intimidar.
Brasília, 26 de setembro de 2014.
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