Eliane Cantanhêde
BRASÍLIA - Com esse papo de direita e
esquerda, o PT conseguiu esconder uma triste realidade dos governos Lula e
Dilma: os movimentos sociais sumiram. E como fazem falta!
A UNE virou puxa-saco do poder. A CUT
nunca ficou tão fora dos microfones. O MST está esperando sentado a alternância
no governo para voltar a infernizar.
A Petrobras é dilapidada e não se
ouve um só grito de estudantes e de sindicatos. O silêncio é ensurdecedor. Se
há pressão, é das redes sociais e do novato movimento dos Sem-Teto, que passa
ao largo de partidos e polarizações e agita a cena social.
E, já que o próximo domingo é o dia
latino-americano de defesa do aborto seguro: até os avanços pela descriminalização,
para proteger milhares de mulheres pobres por ano, estão congelados.
Os movimentos feministas eram
nervosos e provocativos em aliança com o PT. Bastou Lula botar o pé na rampa do
Planalto para amortecê-los. E nem com a posse da primeira mulher na Presidência
retomaram o rumo.
Dilma nomeou para a Secretaria da
Mulher Eleonora Menicucci, de longas batalhas feministas, de corajosa defesa do
direito da mulher sobre seu corpo. Eleonora assumiu e virou mais uma figurante
no poder.
Saudade do PT na oposição, das forças
vivas, da pressão legítima, da indignação produtiva. Saudade de jovens
críticos, não cooptáveis.
Foi por esse vácuo de representação,
e não só da partidária, que milhões foram às ruas em junho de 2013. Por
direitos, contra a pasmaceira. Os vândalos acabaram com a brincadeira e lá
ficamos nós sem UNE, sem CUT, sem MST e sem as manifestações de junho,
dependendo só da imprensa para incomodar os poderosos de plantão, questionar
dados e versões, pressionar por avanços, exigir de volta a nossa Petrobras.
É hora de lembrar que governo é
governo, imprensa é imprensa, movimentos sociais são movimentos sociais. Na
democracia, "cada macaco no seu galho".
Fonte: Folha de S. Paulo
Por
Instituto Maria Preta
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