Decisão do ministro Luiz Fux autoriza
ajuda de até R$ 4 mil para magistrados convocados para trabalhar em locais onde
não residem
Brasília - O ministro do
Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux estendeu o auxílio-moradia a todos os
juízes federais do País que não possuem residência oficial na localidade em que
trabalham. A medida tem caráter liminar e foi concedida na segunda, mesmo dia
em que a Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou parecer ao STF
favorável à concessão da liminar, sem efeitos retroativos, com regulamentação a
ser determinada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A medida pretende
equiparar a situação dos juízes federais com a de outros magistrados e também
com a de membros do Ministério Público.
Na decisão, Fux considerou que
o CNJ "já reconhece o direito à ajuda de custo para fins de moradia aos
magistrados e conselheiros que lá atuam". O ministro sustenta que os
magistrados do STF e os conselheiros do CNJ recebem auxílio-moradia e que
também são contemplados com o benefício os membros do Ministério Público.
"(...) Inúmeros juízes de direito e promotores de justiça já percebem o
referido direito, e em razão, também, da simetria entre as carreiras, defiro a
tutela antecipada requerida, a fim de que todos os juízes federais brasileiros
tenham o direito de receber a parcela de caráter indenizatório prevista no
artigo 65, inciso II, da LC nº 35/79", decidiu o ministro.
O dispositivo citado por Fux,
da Lei Orgânica da Magistratura Nacional, estabelece a possibilidade de
pagamento de ajuda de custo para moradia nas localidades em que não houver
residência oficial à disposição do juiz. Fux determinou que o CNJ seja oficiado
para regulamentar a questão, para implementar o "princípio da simetria na
sua completude". O teto do benefício será o valor do auxílio-moradia pago
a magistrados do Supremo, que chega a R$ 4 mil.
A ação foi ajuizada por
magistrados federais contra a União, com pedido pelo reconhecimento da ajuda de
custo para moradia à categoria. A Associação Nacional dos Juízes Federais
(Ajufe) entrou como assistente no processo. O presidente da Associação Antônio
César Bochenek afirmou que a medida é uma forma de equiparar a situação dos
magistrados estaduais com a dos federais. Bochenek lembra que nem todos os
juízes federais receberão o benefício, mas apenas aqueles convocados para
locais em que não há residência oficial. "O impacto é diminuto, pois nem
todos irão receber o auxílio", apontou o presidente da Ajufe, que representa
1,8 mil magistrados.
A Ajufe organizou para esta
terça-feira, 16, uma mobilização nos Estados para "demonstrar a
insatisfação" dos juízes federais com os recentes atos do Executivo.
Bochenek fala que a intenção é chamar a atenção para a importância da
independência do Judiciário e separação dos poderes.
No final de agosto, a
presidente Dilma Rousseff sancionou uma lei concedendo a integrantes do MP da
União uma gratificação por acúmulo de ofício, mas vetou o dispositivo que
estendia a vantagem aos magistrados federais. Pela lei, os membros do MP têm o
direito de receber gratificações quando acumulam funções por mais de três dias
úteis. Na ocasião, a Ajufe afirmou em nota que a "atitude reafirma a
posição do governo de desprestígio e desvalorização da magistratura
federal".
Além disso, os juízes reclamam
também do corte no orçamento do Judiciário realizado recentemente pela
presidente, que motivou mandado de segurança ajuizado por associações para
garantir que o projeto orçamentário integral seja encaminhado ao Congresso.
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